Racismo no futebol: da multa do Atlético Madrid à suspensão de Ondrej Kudela e a proposta de Seedorf

  1. Atlético Madrid multado 30 mil euros
  2. Ondrej Kudela suspenso 10 jogos
  3. Clarence Seedorf sugere cartão amarelo
  4. Mikael Silvestre relança debate

O racismo no desporto, em particular no futebol, é um flagelo que ainda persiste, apesar dos esforços para a sua erradicação. A UEFA tem demonstrado uma postura intransigente, aplicando punições severas para tentar combater as atitudes discriminatórias. Os clubes são frequentemente responsabilizados, como se viu em novembro, quando o Atlético Madrid foi multado em 30 mil euros e viu um jogo à porta fechada suspenso por um ano, devido a gestos racistas e saudações nazis de adeptos na visita ao Arsenal.

As consequências tornam-se ainda mais graves quando os intervenientes diretos no jogo são os protagonistas. Um exemplo marcante é o caso de 2021, que serve de alerta, quando o checo Ondrej Kudela foi suspenso por 10 jogos. Este castigo foi imposto após a confirmação de que proferiu insultos racistas a Glen Kamara, durante um jogo entre o Rangers e o Slavia Praga. A condenação de Kudela baseou-se, crucialmente, no testemunho de Bongani Zungu, colega de equipa de Kamara, que afirmou ter ouvido as palavras do checo. Este precedente é relevante face à acusação de que Prestianni terá insultado Vinícius Júnior, pois após o jogo na Luz, Kylian Mbappé afirmou na zona mista ter ouvido Prestianni a “chamar macaco a Vini cinco vezes”.

Apesar de Kudela se ter mostrado surpreendido com o castigo e do recurso apresentado pelo Slavia Praga, a suspensão foi mantida e o jogador falhou o Europeu 2020 (realizado em 2021). Os advogados do jogador do Rangers, por sua vez, lamentaram que tivesse sido aplicada a pena mais leve prevista no regulamento da UEFA, que se mantém nos 10 jogos de suspensão. Esta situação reaviva o debate sobre a necessidade de maior rigor nas punições e Clarence Seedorf, citado pelo The Guardian, defende uma medida preventiva dizendo: “Se um jogador tapar a boca para falar com o seu treinador ou colegas de equipa, é aceitável, mas quando se dirige ao árbitro ou a um adversário, seja em que desporto for, não deve ser permitido tapar a boca. Tem de valer cartão amarelo”. A discussão sobre esta prática, que impede a leitura labial e potencialmente a identificação de insultos, foi relançada por Mikael Silvestre, membro do Painel da Voz dos Jogadores da FIFA.