A vitória do Benfica na Taça dos Campeões de 1962
A final da Taça dos Campeões de 1961/62, onde o Benfica se destacou ao vencer o Real Madrid, representou um marco para António Simões, que aos 18 anos alcançou o auge da sua carreira.
“O terceiro lugar no Mundial de 1966 [com a seleção portuguesa] foi um êxito fantástico, que ficou na história e surpreendeu todo o mundo, mas foi a confirmação, através do maior acontecimento no futebol, de uma geração muito ligada ao Benfica. Antes de eu aparecer, já havia gente que tinha conquistado a Taça dos Campeões. Não éramos uns desconhecidos”,”
lembrou Simões, refletindo sobre sua trajetória e o impacto da vitória na sua vida.
O jogo memorável em Amesterdão
Em maio de 1962, em Amesterdão, a equipa portuguesa venceu o Real Madrid num emocionante jogo que terminou em 5-3. Os encarnados se destacaram, incluindo grandes jogadores como Eusébio e Mário Coluna. “Imagine o que é ter 18 anos, olhar para o lado e ver Di Stéfano, Puskás e Gento, que já tinham vencido várias Taças dos Campeões. Interroguei-me sobre o que estava ali a fazer, mas, depois, percebi que tinha muito para fazer e fiz. Olhando para estes nomes extraordinários, nunca nos devemos intimidar, mas motivar-nos para tentar fazer coisas como eles faziam. Isso encheu-me de desejo. Há alguma coisa melhor do que sentir que, do outro lado, está a magia, a categoria e o futebol de qualidade? Essa é a primeira grande motivação que devemos ter para imitar alguém que é grande”,”
expressou Simões, destacando a sua perseverança e o desejo de superação no campo.
A palestra inspiradora de Béla Guttmann
A vitória foi ainda mais significativa devido à palestra inspiradora do treinador Béla Guttmann, que motivou seus jogadores ao afirmar que o Real Madrid estava em desvantagem. “Béla Guttmann teve ao intervalo uma palestra de convencimento e crença plena de que era possível inverter o resultado. Foi um discurso de grande motivação. Ele dizia que o Real Madrid estava velho e cansado e que nós éramos jovens e tínhamos mais energia e raça. Foi um momento emocional, que nunca esquecerei e permitiu no fim essa exaltação de vencer a equipa mais forte que havia na Europa”,”
recordou Simões, evidenciando a importância da liderança e da mentalidade no desporto.
O impacto do Benfica no futebol internacional
Os dois clubes voltaram a enfrentar-se na mesma década e, em 1964/65, o Benfica mostrou novamente sua força, vencendo por 5-1 na primeira mão da Taça dos Campeões. “Não conheço outra equipa que tenha feito 10 golos ao Real em dois jogos. Naquele tempo, o Benfica pôs Portugal no mapa. Não descobrimos o mundo, mas demos a conhecer quem éramos”,”
afirmou Simões com orgulho, sublinhando como o sucesso do Benfica ajudou a elevar o reconhecimento de Portugal no cenário do futebol internacional.
O futuro também parece promissor, pois o Benfica se prepara para enfrentar o Real Madrid novamente no play-off da Liga dos Campeões. António Simões fez uma chamada à motivação e à confiança antes deste desafio: “José Mourinho é excelente na motivação. Os atletas têm de ouvir o treinador e acreditar no que é possível fazer. Isto atrai confiança para poder jogar bem. Não é possível jogar mal e ganhar a um adversário desta qualidade. Pede-se que todos tenham qualidade, trabalhem e não tenham receio”,”
concluiu Simões, mostrando como o espírito de equipe e a determinação são fundamentais para o sucesso no futebol.