António Simões, uma lenda viva do futebol português e campeão europeu pelo Benfica, projetou a eliminatória da Liga dos Campeões entre o seu antigo clube e o Real Madrid. O ex-futebolista realça a importância do talento individual para decidir o vencedor, um fator que, segundo ele, será crucial neste embate europeu.
“O futebol é uma arte em movimento e requer uma inteligência específica. O talento sempre foi determinante e agora ainda é mais. Toda a gente tem conhecimento da organização coletiva, mas o que desequilibra é o talento e a eliminatória será resolvida por aí”, antecipou à agência Lusa o antigo avançado internacional português, de 82 anos, que representou as águias entre 1961 e 1975. Simões, que se sagrou campeão europeu frente aos espanhóis em 1961/62, não esquece o historial do adversário, mas sublinha a oportunidade que o Benfica tem de reescrever a sua própria história.
“O Real Madrid é um clube fantástico e traz um historial nesta prova melhor do que qualquer outro clube, mas o Benfica tem um passado europeu, ao qual felizmente estou ligado, e deve aproveitar para fazer mais história. Se tudo isto for colocado na cabeça [dos atletas], pergunto qual é a motivação maior, senão jogar na Liga dos Campeões contra o Real”, direcionou Simões. O jogo da primeira mão está marcado para esta terça-feira, às 20h00, no Estádio da Luz, em Lisboa. Os lisboetas receberam os espanhóis pela segunda vez em três semanas, após terem vencido no fecho da fase de liga (4-2), com um golo do guarda-redes ucraniano Anatoliy Trubin, aos 90+8 minutos, para agarrarem o 24.º lugar, último de continuidade na principal competição europeia de clubes. Este resultado dá uma ligeira vantagem moral aos encarnados para este novo confronto.
“Todos podem ter uma grande inspiração, estar no dia sim e alguns até jogar mais do que sabem. Quando se trata de [uma eliminatória a] duas mãos, é diferente. Neste momento, creio que o Benfica terá uma ligeira vantagem pelo que fez no jogo anterior. Será que o Real se afastará de algum complexo por causa dessa vitória que o Benfica justamente mereceu? É a incógnita e o grande desafio”, analisou António Simões. O antigo capitão encarnado espera um Real Madrid mais cauteloso e organizado defensivamente na Luz, um local onde, na época passada, falharam o acesso direto aos oitavos.
“Eles ainda não encontraram o equilíbrio mental suficiente para vermos o famoso Real Madrid, ao contrário do Benfica, que tem a oportunidade de confirmar a melhoria coletiva que se tem vindo a acentuar, mas que não se traduziu completamente nos resultados. Se assim for, pode fazer história mais uma vez. Ninguém se esquece da final de 1961/62 e da vitória por 5-1 em 1964/65. Acrescentar história passa por eliminar o Real”, ambicionou Simões, relembrando a final de 1961/62 e a “vitória por 5-1 em 1964/65”
. Simões, que se tornou no jogador mais jovem a vencer a Taça dos Campeões Europeus em 1962, conta a história desse momento inesquecível.
“O terceiro lugar no Mundial de 1966 [com a seleção portuguesa] foi um êxito fantástico, que ficou na história e surpreendeu todo o mundo, mas foi a confirmação, através do maior acontecimento no futebol, de uma geração muito ligada ao Benfica. Antes de eu aparecer, já havia gente que tinha conquistado a Taça dos Campeões. Não éramos uns desconhecidos”, lembrou à agência Lusa o antigo avançado internacional português, de 82 anos, que representou as águias.