Maria Lúcia Amaral é a primeira ministra a pedir demissão do atual Governo, liderado por Luís Montenegro, cerca de oito meses após a sua tomada de posse, a 5 de junho de 2025. A decisão surge na véspera do debate quinzenal no parlamento, que será marcado pela atuação do Governo na resposta às consequências da depressão Kristin, que causou 15 mortes em Portugal nas últimas duas semanas.
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, reagiu à demissão, considerando que esta “é a prova de que o Governo falhou na resposta” à tempestade. “O primeiro e mais importante responsável da proteção civil no país é o primeiro-ministro”, defendeu Carneiro, lembrando que Luís Montenegro assumirá transitoriamente as competências da pasta da Administração Interna.
A constitucionalista Maria Lúcia Amaral assumiu a pasta da ministra da Administração Interna em 5 de junho de 2025, com a posse do XXV Governo. Antes disso, esteve oito anos à frente da Provedoria de Justiça. Com 68 anos, Maria Lúcia Amaral substituiu no cargo Margarida Blasco e foi uma das três novidades que Montenegro introduziu no elenco do seu segundo executivo, a par de Gonçalo Saraiva Matias e Carlos Abreu Amorim.
A demissão da ministra da Administração Interna aconteceu numa altura em que parte do país (68 concelhos) se encontra em situação de calamidade. O primeiro-ministro responderá pela primeira vez na Assembleia da República à oposição, que criticou a atuação do executivo, sobretudo na fase inicial de resposta à depressão Kristin, com vários partidos a pedirem precisamente a demissão da ministra da Administração Interna.