O antigo dirigente do Sport Lisboa e Benfica, Alcino António, descreveu as «mais emotivas e profundas experiências» da sua carreira, relacionadas com a trágica morte da equipa do Torino em 1949. Apesar da distância temporal, Alcino destaca como conseguiu sentir-se emocionalmente ligado a este acontecimento histórico.
Pedaço da fuselagem do avião do Torino
António relembra que, ainda antes da inauguração do Museu Cosme Damião, em 2013, receberam em Lisboa o presidente do Museu do Grande Torino, Domenico Becaria, que lhes ofereceu um pedaço da fuselagem do avião que se despenhou em Superga, matando toda a equipa italiana. «Jamais esquecerei aquele momento», afirmou Alcino, descrevendo como este gesto lhe permitiu viajar no tempo e o levou a iniciar uma «nova e sentida amizade» com Becaria.
Visita ao Stadio Filadelfia e homenagem em Superga
Em 2014, a ligação entre os dois clubes aprofundou-se ainda mais quando, por ocasião do jogo entre Benfica e Juventus, a comitiva encarnada fez uma visita ao museu e às ruínas do Stadio Filadelfia, recebida pelo mesmo Domenico Becaria e por dezenas de atletas da formação do Torino. No dia seguinte, a delegação do Benfica homenageou as vítimas da tragédia, colocando flores no alto de Superga, onde ocorreu o acidente. «A presença de dezenas e dezenas de adeptos do Torino e alguns familiares dos atletas desaparecidos tornou profundamente mais afetiva, mais comovente e, sem dúvida, mais inesquecível uma experiência», recordou Alcino.
Dois anos depois, em 2016, Alcino voltou ao Estádio Nacional para, juntamente com membros da direção do Torino, prestar uma nova homenagem à histórica equipa italiana que ali jogara pela última vez em 1949. No dia seguinte, o Torino conquistou a prestigiada Eusébio Cup no Estádio da Luz, numa conquista que, segundo Alcino, «nunca, como naquela tarde, uma derrota terá sido capaz de preencher tanto o coração dos benfiquistas!».