O Torreense está perto de um feito inédito na sua história recente: a subida à I Liga após 34 anos de ausência. O ex-jogador Rosário, que atuou na equipa de Torres Vedras na época de 1991/92, expressou a sua confiança na capacidade da equipa de Luís Tralhão para vencer o Casa Pia na segunda mão do play-off de acesso à I Liga. Rosário, autor de 11 golos na campanha de 91/92, que viu o Torreense descer de divisão, felicitou o clube por “estar a colher os frutos do trabalho que está a fazer”. O técnico de 61 anos, que atualmente orienta o Fontelas, clube dos campeonatos da Associação de Futebol de Vila Real, afirmou: “Acredito que o Torreense pode ganhar em casa do Casa Pia. Pela entreajuda e humildade que vi na final da Taça de Portugal, acredito que vai subir. Aquela cidade merece a I Liga”.
Apesar da proeza histórica na Taça de Portugal, onde o Torreense se tornou a primeira equipa de um escalão secundário a vencer a prova, batendo o Sporting por 2-1 no prolongamento, Rosário considera injusto que a final tenha ocorrido em pleno play-off, após o empate na primeira mão em Torres Vedras a 20 de maio. O antigo ponta de lança, natural de Castanheira do Ribatejo, lamenta a lesão no perónio que o afastou das últimas cinco jornadas de 1991/92, impedindo-o de ajudar o clube a permanecer na primeira divisão. Ainda que se assuma sportinguista, o ex-futebolista do Torreense, Vitória de Setúbal e Boavista apoiou, no domingo, o clube que representou entre 1987/88 e 1992/93, e admite ter-se emocionado com o apoio massivo ao emblema de Torres Vedras no Jamor. “Foram as minhas duas equipas à final, mas o Torreense abriu-me as portas para ser profissional. Estará sempre no meu 'coração'. Vibrei muito. Ver aquela gente toda foi espetacular. A cidade é fantástica. Só tenho de agradecer tudo o que fizeram por mim. Torci pelo Torreense, e as coisas correram bem”, confessou.
O Torreense, após 70 anos de história e espera, como salienta Manuel Fúria, músico e cronista de futebol, está a colher os frutos de um trabalho árduo e de uma profunda ligação à sua terra. Fúria, que escreve sob o nome de Manuel Barbosa de Matos, descreve o clube como “semeado e plantado na terra”, à espera do seu momento. Ele realça que “a conquista da Taça foi, tão-somente, o reerguer de um clube que esteve setenta anos à espera, com uma Taça atravessada na garganta.” O cronista recorda a ligação profunda do clube às suas origens, afirmando que “o Torreense pertence ao chão. Ao solo.” A final da Taça de Portugal, em que bateram o Sporting, culminou uma semana histórica para a formação de Torres Vedras, que agora procura regressar à I Liga após 34 anos. O Casa Pia, 16º classificado da I Liga, tenta evitar o rebaixamento e pôr fim à alegria dos torrienses, num jogo que marca ainda o fim da carreira do defesa central José Fonte, aos 42 anos.