Sócio do Boavista requere Assembleia Geral Extraordinária para destituir direção

  1. "Unidos Pelo Boavista" formaliza requerimento.
  2. 270 sócios efetivos assinaram o documento.
  3. Leilão do Estádio do Bessa avaliado em 38 milhões de euros.
  4. Dívidas do Boavista superam 150 milhões de euros.

O movimento de sócios Unidos Pelo Boavista formalizou, esta quinta-feira, um requerimento para a convocação urgente de uma Assembleia Geral Extraordinária. O documento, entregue na secretaria do clube, baseia-se no Artigo 67.º, n.º 2 dos estatutos e conta com a assinatura de 270 sócios efetivos, um número que, segundo os subscritores, excede largamente o limite legal para a realização de uma reunião magna desta natureza. A iniciativa surge num contexto de grande instabilidade para o clube, marcado pelo anúncio do leilão do Estádio do Bessa e do complexo desportivo adjacente, agendado para a próxima semana, com um valor base global de aproximadamente 38 milhões de euros. O Boavista, campeão nacional em 2000/01, atravessa uma das fases mais críticas da sua história, enfrentando uma descida competitiva e um agravamento da sua situação financeira, com dívidas que superam os 150 milhões de euros.

A principal proposta na ordem de trabalhos é a deliberação sobre a “destituição da Direção em exercício”. Os proponentes justificam este pedido com a alegada “impossibilidade superveniente de exercício das respetivas funções”, fundamentada na decisão da Administradora de Insolvência, de 18 de fevereiro, de cessar a “coadjuvação da Direção na gestão do estabelecimento do Clube”. O documento refere ainda uma perda de confiança por parte da administração judicial e da Comissão de Credores na atual gestão, que culminou no processo de insolvência. Além da destituição, o requerimento sugere a nomeação de uma Comissão Administrativa transitória para gerir o clube até à realização de novas eleições. Esta comissão teria o mandato de representar o Boavista e dialogar diretamente com o tribunal, a Administradora de Insolvência e os credores, com o foco em encontrar uma “solução de recuperação ou continuidade da atividade do Boavista”.

A direção, liderada por Rui Garrido Pereira, expressou surpresa com o avanço do leilão, afirmando que decorriam negociações para encontrar soluções de viabilização. O presidente garantiu que tudo será feito para impedir a venda, embora reconheça que a alienação de ativos pode ocorrer numa fase de liquidação. Paralelamente, a claque Panteras Negras anunciou a sua intenção de recorrer aos tribunais para tentar suspender o leilão e declarar a nulidade do processo, descrevendo a eventual perda do património como um desfecho catastrófico. A SAD do clube, liderada por Fary Faye, também se manifestou, assegurando estar a acompanhar a situação e reiterando o compromisso com a defesa dos interesses do Boavista e a continuidade das suas atividades. O estádio, sem utilização desde maio de 2025 devido a impedimentos das autoridades, integra um complexo com cerca de 78 mil metros quadrados de área construída. O pedido dos sócios solicita à mesa da Assembleia Geral a validação das assinaturas em cinco dias úteis e a convocação da assembleia extraordinária em oito dias úteis após o depósito da quantia exigida pelos estatutos.

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