O Estoril Praia perdeu por 3-2 na visita ao Arouca, num jogo da 28.ª jornada da Liga, repleto de emoção e reviravoltas. As declarações dos treinadores, Ian Cathro do Estoril, e Vasco Seabra do Arouca, após o encontro, revelam os diferentes estados de espírito das equipas.
Ian Cathro, técnico do Estoril, não escondeu a sua frustração com o desfecho da partida e a atual situação da sua equipa. O treinador abordou a questão dos erros que marcaram o jogo, referindo: “Acho que não vale a pena falar sobre o 1-1, é um erro nosso e o futebol tem erros. Na primeira parte, tirando este erro, a nossa equipa fez um jogo muito competente. Criámos várias situações, conseguimos limitar muitas vezes a saída e o ritmo do Arouca”
. Cathro lamentou a incapacidade da equipa de manter a vantagem: “Até ao 2-2 fizemos um jogo muito bem conseguido. Sentimos que trabalhámos muito bem. Somos uma boa equipa, trabalhámos bem todos os dias e vivemos a pensar que devemos ter mais pontos e estar a competir para outras coisas”
. O técnico do Estoril expressou ainda a sua preocupação com o estado emocional dos jogadores: “Não conseguimos ultrapassar este momento e voltar a sentir-nos limpos na parte emocional. Talvez essa é a explicação para a segunda parte”
. A situação do clube, apesar da posição na tabela, é de crise para Cathro: “Nós estamos zangados, frustrados. Temos muita coisa a ir contra nós. Pela primeira vez, o Estoril está em sétimo em abril, mas em crise. É o que sinto”
. Questionado sobre as opções do banco, Cathro ironizou: “Achas que vinha para o jogo sem encher o banco? Até tu, se quisesses, podias vir para o banco. Os jogadores estão lesionados. Não é fácil”
. Contudo, o treinador procura virar a página: “Amanhã tenho folga, vou tomar um café da manhã e nem vou pensar nisso. E a vida continua”
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Do lado do Arouca, Vasco Seabra mostrou-se satisfeito com a vitória e com a exibição da sua equipa. O treinador elogiou o espetáculo proporcionado pelas duas formações: “Foi um excelente jogo, entre duas equipas com muita qualidade técnica individual e muito bons executantes. E, sinceramente, acho que duas ideias de jogo que apelam a uma partida altamente positiva, virada para as balizas”
. Seabra reconheceu a qualidade do adversário: “É óbvio que eu preferia ter ganho sem sofrer golos, mas a verdade é que defrontamos um adversário com muita qualidade. A forma de jogar do Estoril é difícil de contrariar”
. O treinador explicou as dificuldades sentidas na primeira parte: “Na 1.ª parte tivemos alguma dificuldade em ter a paciência necessária para estancar o jogo interior do Estoril. É difícil, porque tem oito jogadores por dentro e dois por fora”
. Seabra detalhou a estratégia do Estoril: “Faz uma construção praticamente 2-2-2-2, com os laterais a darem largura. Isso dá muita mobilidade ao Holsgrove, Xeka, João Carvalho e ao Jandro Orellana. E, como saem de estrutura, fica muita gente fora do bloco e é muito difícil ter gatilhos de pressão ajustados”
. As dificuldades táticas foram evidentes: “Quando vamos pressionar com os nossos dois médios à frente, acabamos por libertar os interiores, que ficam muito longe dos laterais. E esse encaixe nem sempre é fácil. O Estoril acabou por nos criar dificuldades para conseguirmos roubar e ficar com bola”
. Apesar disso, o Arouca criou mais oportunidades: “Ainda assim, tivemos as melhores oportunidades de golo. Fazemos o 1-1, temos outra bola do Barbero logo a seguir ao golo do Estoril. Acabámos por ir para o intervalo com alguma felicidade, mas creio que com mérito”
. Na segunda parte, o Arouca superiorizou-se: “Fomos mais dominadores. Conseguimos roubar muito mais vezes a bola, tivemos mais critério e criámos mais dificuldades à pressão do Estoril. E creio que isso acabou por desgastar muito o Estoril e libertou-nos mais espaços. Acho que poderíamos ter fechado o jogo mais cedo”
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