A associação Panteras Negras anunciou que irá recorrer aos tribunais para contestar a venda judicial do património do Boavista, nomeadamente o Estádio do Bessa e o complexo desportivo adjacente. A claque acusa a direção do clube de incompetência absoluta
e inação
face ao processo de insolvência, que resultará num leilão do estádio com um valor base de 38 milhões de euros, agendado para a próxima semana. Esta ação visa “requerer a nulidade total do processo de insolvência”
e suspender a alienação de ativos, que consideram um desfecho catastrófico
.
Em comunicado, assinado pelo seu presidente Nuno Fonseca, a claque axadrezada
afirma que “não permitirá que o património, erguido com o suor de gerações, seja entregue sem que todas as instâncias de defesa sejam esgotadas”
, destacando o seu papel como guardiã da mística
do clube. O Boavista, campeão nacional em 2000/01, enfrenta um processo de insolvência com dívidas que ultrapassam os 150 milhões de euros. As críticas da claque dirigem-se à direção por, alegadamente, ter seguido uma estratégia suicida
ao avançar para a insolvência sem um plano de recuperação, e ao Conselho Geral por, segundo os Panteras Negras, caucionar este caminho de destruição, arriscando, como referem, “desmantelar o clube centenário”
.
O clube tem atravessado um período conturbado, culminando numa descida de divisão em 2025 após 11 épocas consecutivas na I Liga. A SAD, atualmente liderada por Fary Faye, ocupa o último lugar do escalão principal da AF Porto. Em antecipação a este cenário, Nuno Fonseca fundou, em 2025, o Panteras Negras Footballers Club, uma estrutura independente que visa a reconstrução futura do clube e a preservação da sua identidade. A associação, legalmente constituída, inspira-se na alcunha do clube, simbolizando a identidade e união dos adeptos axadrezados
nesta luta pela sobrevivência do Boavista.