A recente temporada do Torreense ficará certamente gravada na memória dos seus adeptos, não só pela inédita conquista da Taça de Portugal, mas também pelo amargo sabor de uma promoção falhada. Stopira, capitão e figura central da equipa, partilhou em entrevista à Lusa as suas reflexões sobre os momentos decisivos, as emoções vividas e as polémicas que marcaram o final da época. A vitória na Taça, em particular o golo da vitória que marcou, assumiu um papel preponderante na sua carreira. “Já fiz muitos golos, mas este foi o mais importante da minha carreira. O grau de responsabilidade que tinha naquele momento porque ia decidir o rumo do jogo... É o golo mais importante na minha carreira”, sublinhou. Este momento histórico, que viu o Torreense sagrar-se a primeira equipa do segundo escalão a erguer o troféu, foi precedido de uma notável confiança. “Muita gente perguntou isso, mas sinceramente não estava nervoso. Estava tranquilo porque senti muita confiança, que era o nosso momento e a nossa hora. Acabei por dizer aos meus colegas que eu mesmo ia bater porque estava confiante. Assumi com toda a responsabilidade e sabia o peso que era naquele momento. Era a nossa hora”, notou o defesa. A fé na equipa era inabalável, mesmo perante um adversário de renome como o Sporting. “Ainda antes do jogo, falava com os meus colegas e dizia que a primeira coisa que tínhamos de fazer era acreditar que era possível. Só acreditando é que podia ser possível. Mesmo tendo em conta o adversário, o poderio do Sporting, que é top-3 em Portugal e uma das melhores equipas da Europa atualmente”, analisou. A confiança de Stopira estendia-se a toda a equipa: “Confiei em pleno na minha equipa e sabíamos que tínhamos capacidade. A probabilidade não era muita, mas acreditando, tornou-se possível”, justificou, salientando que, com o desenrolar da partida, a equipa foi acreditando cada vez mais.
Apesar da glória na Taça de Portugal, o Torreense não conseguiu a tão desejada promoção à I Liga, um desfecho que deixou um sabor agridoce e levantou questões sobre a gestão do calendário. Stopira não escondeu a sua frustração com a falta de tempo de recuperação entre os jogos. “Com o grau de dificuldade que tivemos, com a carga física dos últimos jogos, acho que pesou no último jogo e acabou por não nos ajudar. Não é desculpa, mas é um facto”, frisou. O capitão apontou a diferença de condições em relação ao adversário no play-off. “Podíamos ter jogado no fim de semana. No sábado ou no domingo. Enquanto o Casa Pia estava a descansar, nós estávamos a jogar. Tivemos uma carga física, mas também mental, muito grande. Os jogos iam decidir muita coisa e acabámos por ser prejudicados por isso. E isso afetou a equipa no jogo com o Casa Pia”, lamentou. Apesar do desaire na promoção, a perspetiva de Stopira sobre a época é de sucesso. “É uma temporada muito positiva. Posso dizer que é de sucesso, porque embora não tenhamos conseguido a tão desejada subida que todos queríamos, temos plena consciência de que fizemos de tudo para subir”, justificou o líder do balneário. A resiliência da equipa foi um fator chave. “Mesmo assim, lutámos até ao fim contra o Casa Pia, a tentar empatar e até virar o jogo. Não aconteceu, mas realço o trabalho de toda a equipa. Saí muito orgulhoso do que fizemos”, assinalou o experiente defesa, de 38 anos.
A chave para uma das épocas mais memoráveis da história do clube, segundo Stopira, foi o trabalho e o compromisso. “O segredo foi o trabalho que assumimos e o compromisso uns com os outros. O acreditar que temos potencial e qualidade. Temos grandes jogadores. A chave foi o grupo, que é muito forte, muito alegre e tem malta com muita fome para ganhar”, regozijou. Apesar de a promoção à I Liga não ter sido alcançada desta vez, o capitão mantém a esperança. “Infelizmente, não foi agora, mas tenho a certeza de que vai ser no futuro. Não posso dizer que vai ser na próxima época, ou na outra, mas tenho a certeza absoluta que, no menor tempo possível, o clube vai estar na I Liga”, afirmou, esperançoso de que seja a breve prazo. O Torreense, pela conquista da Taça, garantiu presença na Supertaça Nacional, onde defrontará o FC Porto, e uma inédita participação na fase de liga da Liga Europa. Stopira antecipa uma participação positiva: “O clube vai fazer de tudo para que possamos competir, tanto a nível nacional como internacional. Espero, e tenho a certeza, que se vão criar todas as condições para que isso aconteça e se consiga honrar o nome do clube. Para que a próxima época seja mais uma vez de sucesso”. Quanto à sua continuidade, Stopira foi perentório: “Tenho toda a confiança de dar continuidade ao trabalho que temos feito e se for essa a vontade do clube, irá acontecer com a maior naturalidade possível. Mais do que um clube, o Torreense é a minha casa, é a minha família também e gosto de estar na cidade”. O capitão expressou ainda o desejo de ajudar a “colocar o clube onde merece estar”. “Se for para continuar, continuarei com o mesmo espírito”, enfatizou, solidificando o seu compromisso com a formação de Torres Vedras.