Tralhão: “Ainda não tenho noção do que atingimos”

  1. Luís Tralhão é o treinador do Torreense.
  2. O Torreense venceu o Sporting na Taça de Portugal.
  3. O próximo jogo pode selar a subida à I Liga.
  4. Tralhão fez uma promessa sobre ir a pé para casa.

Luís Tralhão, treinador do Torreense, expressou a sua emoção e a falta de perceção total sobre a conquista da Taça de Portugal, após a vitória diante do Sporting. Em declarações à Sport TV, o técnico realçou a crença inabalável da sua equipa e, apesar da alegria da vitória, já aponta baterias para o próximo desafio, que poderá selar a subida à I Liga.

“Ainda não tenho noção do que atingimos. Às vezes, quando vou de carro trabalhar, penso mais nestes momentos do que propriamente agora. Emociona-me ver ali a minha família, é muito sofrimento... A vida de treinador é prazerosa, mas muitas vezes angustiante. Eles sabem as dores que vamos sentindo e as horas que não estamos em casa. Fico muito emocionado em olhar para aquela gente toda e pensar que este grupo conseguiu dar-lhes esta alegria”, revelou Tralhão. A crença na capacidade da equipa foi um ponto fundamental para o sucesso: “Acreditámos sempre que era possível, porque aquilo que fazemos e que vamos sentindo ao longo dos jogos é que somos capazes de nos bater com qualquer adversário. Eles não entram em pânico e isso é muito bom. Essa confiança que vamos tendo ao longo das semanas é importante para chegarmos a estes momentos e não tremermos. Não senti nenhum tipo de ansiedade nos jogadores antes deste jogo. Eles estão talhados para isto. Muitos deles queriam muito, porque são portugueses e sentiram que podia ser a única vez que podiam conquistar esta final, mas os estrangeiros também têm um talento enorme.”

Em conferência de imprensa, após a vitória frente ao Sporting por 2-1, Tralhão aprofundou a análise da chave para o triunfo e confessou uma promessa feita, sem, contudo, desviar o foco do próximo objetivo. O técnico já está a pensar no jogo com o Casa Pia, que pode garantir a subida à Liga: “A nossa maior força foi a nossa capacidade de perceber que podíamos ganhar o jogo. Acho que nós sempre acreditámos nisso. A palavra resiliência é uma das nossas principais características, acho que percebem bem o que é que nós representamos.” O impacto do golo madrugador também foi destacado: “Eu acho que o impacto do golo cedo foi muito bom. Não posso negar que começar o jogo praticamente a ganhar dá alguma tranquilidade. Agora, também, não quero parecer presunçoso, mas creio que estar a ganhar muito cedo também nos tirou alguma capacidade de ter a bola, porque a nossa equipa tem essa capacidade. Equipas como a nossa que se veem a ganhar num palco como este, estádio cheio, acabam por se agarrar ao resultado do que propriamente ao processo. E ainda bem.” A promessa de ir a pé para casa, caso vencesse, foi um momento descontraído: “O que eu tinha dito em tom de brincadeira é, como moro aqui perto, se eu ganhássemos ia a pé para casa. Não sei se vou conseguir cumprir aquilo que disse, acho que não me vão deixar. Vamos a Torres e estou à espera de muita gente. Obviamente que é um momento muito importante e não dá como fugir disso. Mas eu, como profissional que sou e como treinador que sou, já estou a pensar um bocadinho no que vai acontecer na quinta-feira.”

Apesar da euforia, a recuperação física e emocional é crucial para o próximo desafio. “A questão anímica é muito importante, mas a física também e temos de recuperar muito bem e pensar na melhor abordagem para o jogo de quinta-feira, que vai ser uma autêntica final também.” A dedicação e o valor humano do grupo foram sublinhados: “Não seria fácil num outro grupo ter este tipo de sucesso que temos tido se não fosse o capital humano que nós temos ali. Eles são os principais responsáveis por estarmos aqui hoje. Quero dedicar a todo o staff que trabalha connosco, e muito pessoalmente a toda a minha família. Sou hoje a pessoa que sou, dedico tudo aos meus pais, são pessoas muito humildes, mas têm os princípios todos certos.” O foco agora está no futuro imediato: “Uma coisa de cada vez. Vamos pensar para já no próximo jogo, que é muito importante para nós. Convocamos desde já toda a gente. Da minha parte, a festa vai ser controlada.” Em relação à Liga Europa e outros planos futuros, Tralhão mantém a cautela: “Neste momento, não pensei muito nisso. O meu foco estava no jogo de hoje e depois no jogo que vem. Estar a fazer perspetivas do que vai acontecer, só me tira do foco. A questão burocrática está resolvida, pelo menos foi o que me disseram há alguns tempos. No tempo certo havemos de pensar nisso.” A surpresa com o percurso também foi admitida: “Não, obviamente que não estava à espera. Há alguns meses estava na Liga Revelação. Mas sabia, quando me convidaram para a equipa principal, do potencial que a equipa tinha. Sabíamos todos que este grupo tinha algo de especial.” A crença dos jogadores no próximo desafio é evidente: “Eles queriam muito chegar a este jogo. No que diz respeito agora a focá-los para quinta-feira, eles estão muito conscientes da responsabilidade deles. Muitos deles abraçaram-me e diziam ‘na quinta-feira temos mais'. Quando eles não faziam isso, dizia-lhes eu. Temos de recuperar fisicamente, isso não há qualquer tipo de dúvida. Espero também que o fator emocional que tivemos hoje nos catapulte também para quinta-feira.”

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