Contrastes na Final da Taça de Portugal
A final da 86.ª edição da Taça de Portugal coloca frente a frente o Sporting e o Torreense num cenário de contrastes profundos. Para o ex-avançado búlgaro Iordanov, a diferença técnica é evidente, mas o respeito pelo adversário deve prevalecer. Analisando o contexto, afirmou que “O Sporting no papel é favorito, tem os melhores jogadores, mas não podemos dizer que a equipa do Torreense é fraca. Está quase a subir à primeira divisão, falta o play-off de qualificação”.
Iordanov, que deixou a sua marca nos leões
entre 1991 e 2001, acredita que a equipa de Rui Borges não facilitará: “Tenho a certeza de que o Sporting vai entrar e fazer tudo o que é possível para ter um jogo fácil”.
O Percurso do Sporting
O percurso do Sporting até ao Jamor não foi isento de sobressaltos, tendo a equipa superado três prolongamentos contra Paços de Ferreira, Santa Clara e AVS, todos com o resultado de 3-2. Esta resiliência foi destacada por Iordanov, que lembrou o esforço da equipa ao longo da época: “É sempre difícil ganhar o campeonato e a Taça. O Sporting este ano jogou em todas as frentes e mostrou que tem valor superior a muitas equipas. Não conseguiu ganhar o campeonato, mas com esforço, dedicação e glória conseguiu chegar ao último jogo da taça”.
O antigo jogador recorda ainda a emoção de ter vencido a prova em 94/95, sublinhando: “Recordo-me que o Sporting não ganhava há bastante tempo um troféu e conseguiu nesse ano. Conseguimos ganhar a Taça de Portugal. Para mim, toda a equipa e para todos os sócios foi muito bom”.
Desafios do Torreense e a Calendarização
Do lado do Torreense, a euforia da final mistura-se com a ansiedade do play-off de promoção à I Liga contra o Casa Pia. Joãozinho, defesa que representou o clube de Torres Vedras na última temporada, criticou a calendarização da LPFP, defendendo que “O Torreense merecia jogar a final desta taça primeiro e, só depois, pensar no play-off. Assim, tem de estar a pensar no play-off e, ao mesmo tempo, em recuperar rápido para estar pronto para a final da Taça, porque não querem ser goleados”.
O jogador lamentou a falta de proteção aos clubes de escalões secundários, afirmando: “Equipas como o Torreense não estão habituadas a jogar de quatro em quatro dias e acaba por ser complicado, nesta fase da época, a recuperação dos jogadores. A Liga [Liga Portuguesa de Futebol Profissional] deveria proteger as equipas. E se fosse o caso do Sporting seria igual. Tinham de proteger mais o Torreense”.
A Gestão do Plantel e a Motivação
Para Joãozinho, a gestão deste calendário é um desafio hercúleo para o treinador Luís Tralhão e para o plantel. “Isto para o treinador do Torreense [Luís Tralhão] não vai ser fácil. Nem para os jogadores. Os jogadores do '11' habitual vão querer jogar a final da Taça [de Portugal] porque é um jogo único, que se calhar será o primeiro e o último de muitos naquele palco”, explicou.
O defesa insistiu que a motivação deve superar a fadiga: “Toda a gente dá quase como garantida a vitória do Sporting, o que é normalíssimo, mas os jogadores do Torreense têm o direito de desfrutar do jogo da grande final e não estarem a pensar nos jogos com o Casa Pia. São competições diferentes. A final da Taça [de Portugal] já estava agendada para esta data e cabe à Liga [LPFP] decidir o melhor para os clubes”.
Expectativas para o Jogo
Terminando a sua reflexão, Joãozinho sugeriu que um simples ajuste na agenda teria beneficiado ambas as frentes, referindo que não custava nada
o adiamento do play-off por uma semana, pois assim “O Torreense teria tempo para preparar a final da Taça de Portugal e também para preparar o play-off”.
Apesar de todo o desgaste, o defesa acredita que a vontade de fazer história no Estádio Nacional falará mais alto, mantendo a motivação da equipa do oeste sempre em alta
. O jogo, agendado para domingo às 17:15, será arbitrado por António Nobre e representa a sétima vez que um clube de divisões secundárias chega à final da prova 'rainha'.