Paulo Bento, em entrevista ao podcast Hora Bolas
da Antena 1, abordou a evolução do futebol português, em particular a arbitragem, desde a implementação do VAR. O ex-treinador do Sporting e selecionador nacional não tem dúvidas de que o vídeo-árbitro veio trazer um maior equilíbrio à competição, afirmando: “Eu não digo que o Sporting ganhou só porque veio o VAR. Não digo isso, mas ajudou muito, não tenho a mínima dúvida. Outra coisa é que não se consiga arbitrar um jogo nem com os plasmas ou as televisões. É um problema dos árbitros, da sua competência ou da falta dela”
. Esta declaração de Paulo Bento sublinha a sua convicção de que o VAR, apesar de não ser o único fator, desempenhou um papel crucial no recente cenário desportivo.
O técnico foi mais longe ao comparar o ambiente da arbitragem atual com o que se vivia entre 2005 e 2009, período em que liderou os leões. Para Paulo Bento, Agora, têm vergonha
de cometer erros, uma mudança significativa em relação ao passado. Esta vergonha
, na sua perspetiva, é um reflexo do escrutínio acrescido que o VAR proporciona. “Mas que ajudou, não tenho a mínima dúvida, porque creio que há coisas que se faziam no passado, que são públicas, que, hoje em dia, pelo menos, já não se fazem, e isso traz um equilíbrio à luta pela Liga, mas, obviamente, não foi só isso. Houve outras coisas, internamente, que o Sporting fez, que creio que foram, também, uma grande base para que pudesse ganhar”
, complementou, reconhecendo que o sucesso do Sporting não se deveu apenas ao VAR, mas também a uma série de mudanças internas no clube.
Paulo Bento recordou lances polémicos do passado para ilustrar a diferença. Mencionou o golo com a mão de Rony no jogo entre Sporting e Paços de Ferreira em 2006, que foi validado, e uma grande penalidade assinalada para o Benfica na final da Taça da Liga de 2009, decorrente de uma suposta mão na bola de Pedro Silva. Sobre o primeiro, afirmou: “Esse lance do golo do Rony, para mim, com VAR ou sem VAR, quatro pessoas dentro de campo têm de o ver. Obviamente que, com o VAR, hoje, não seria validado, a não ser que acontecesse algo como aquilo que aconteceu uma vez, em que falhou a luz, na Cidade do Futebol, e o VAR não funcionou. Mesmo assim, penso que não aconteceria”
. Já o segundo, referindo-se à final no Algarve, “parece-me um bocadinho mais vergonhoso, por motivos que já expliquei. É uma bola que não é na mão, é fora da área, quem viu o lance na realidade não atua, quem atua é o fiscal de linha, que estava do outro lado... Creio que foi algo vergonhoso, é uma das grandes manchas que há, no futebol português”
. Estas memórias servem para reforçar a sua tese sobre a importância do VAR em evitar erros clamorosos. Contudo, o ex-selecionador fez questão de enaltecer o trabalho da atual direção do Sporting: “Há outro fator que me parece que é extremamente importante. Aquilo que o presidente fez, tomando certas e determinadas medidas, que trouxeram alguma paz social ao Sporting. Acho que isso ajudou”
. A finalizar, reiterou a sua antiga máxima: “Quando pensarem que 60.000 são mais importantes do que 6.000, as coisas, no Sporting, têm tudo para mudar”
, reconhecendo a importância da postura do clube em relação às claques.