Apesar das boas intenções, o VAR tem sido uma fonte de controvérsia no futebol português, falhando em eliminar o erro e influenciando negativamente a espontaneidade da celebração dos golos. A percepção tóxica do VAR transformou o árbitro na figura central das transmissões, e existe uma necessidade urgente de aumentar a decisão via tecnologia, como a linha de golo e o fora de jogo. A qualidade média dos árbitros em Portugal é um ponto crítico, resultado da barreira cultural e da elevada taxa de abandono na formação, o que limita o recrutamento de talentos e a criação de uma base alargada de profissionais qualificados. A APAF tem sido criticada por tentar impedir a crítica à classe arbitral, uma atitude que não é compatível com uma democracia liberal e que apenas amplifica as polémicas em vez de as resolver. Em contraste, a Associação não pode impedir que os agentes desportivos critiquem os árbitros, pois tal equivale a “parar o vento com as mãos”
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A gestão de clubes é outro fator preponderante, onde a tensão entre presidentes e treinadores é constante. Exemplos como Jorge Jesus (Benfica) e Vítor Pereira (FC Porto) são raros no que toca a treinadores que cumprem os seus contratos. A saúde financeira dos clubes depende fortemente da venda de jogadores, exigindo a formação de jovens talentos e o sucesso da equipa. A sintonia entre a administração e a equipe técnica torna-se, assim, decisiva. No FC Porto, a renovação de contrato de André Villas-Boas com Farioli, antes da vitória no campeonato, mostrou ser uma decisão acertada, evidenciando a importância da confiança na gestão desportiva. A carreira de Rui Borges, hipoteticamente, pode ser um exemplo de sucesso no futebol português e que contribuiu para Portugal subir no ranking da UEFA com o Vitória de Guimarães e o Sporting.
Os próximos desafios para o Sporting incluem dois jogos da Liga e a final da Taça contra o Torreense, uma equipa perigosa. A necessidade de mentalizar os jogadores para a dificuldade do jogo é fundamental, especialmente com a aproximação do Mundial e das férias. O passado mostra que o Sporting perdeu finais tidas como ganhas
contra o Académica e o Aves, e a vitória no início do século XXI frente ao Leixões, equipa do 3.º escalão, foi por apenas 1-0. Paralelamente, o orçamento de Estado para o desporto em 2026, de 70 milhões de euros, mostra que a gestão do financiamento desportivo também merece atenção. A transição do Desporto do Ministério da Educação para o da Cultura é vista como uma oportunidade para aumentar a atenção sobre o setor, apesar das questões pendentes, como o controverso financiamento da RTP.