Sporting e Vitória SC: Encontro de pressões na 32.ª Jornada da I Liga

  1. Luís Lameiras quer vitória em Alvalade.
  2. João Paulo recorda paixão dos adeptos.
  3. Sporting em má fase no mês de abril.
  4. Vitória SC vem de duas vitórias seguidas.

O palco está montado para um embate de emoções contrastantes no Estádio José Alvalade, onde o Sporting e o Vitória SC se defrontam na 32.ª jornada da I Liga. Luís Lameiras, técnico vitoriano, faz a antevisão de um jogo onde a iniciativa será a palavra de ordem para a sua equipa. “Nós jogamos sempre de igual para igual com qualquer que seja o adversário”, declarou Lameiras, sublinhando a mentalidade do grupo. “Nesta casa, o ponto de partida será sempre disputar o jogo para vencer e é dessa forma que vamos entrar, como entrámos até agora em todos os jogos”, reforçou, mostrando a ambição de conquistar os primeiros pontos frente aos chamados “grandes” nesta temporada. O treinador manifestou o desejo de uma abordagem proativa: “Não sabemos bem o tipo de jogo que vamos esperar. Não sabemos como é que o adversário vai estar, mas sabemos como queremos estar. Sabemos que queremos muito assumir o jogo porque acreditamos que, assumindo o jogo, estamos mais próximos de chegar ao final com a vitória.”

Apesar de o Sporting atravessar um momento menos positivo e o Vitória estar em crescendo, a pressão estará presente nos dois lados. “São dois clubes que entram sempre pressionados para vencer os jogos. Obviamente que o Sporting, jogando em casa e depois desta série que não tem sido a melhor, acredito que estejam mais pressionados. Mas nós também estamos pressionados porque queremos deixar uma boa resposta, uma boa exibição e também queremos ganhar o jogo”, analisou Luís Lameiras. O técnico também abordou a “competição saudável” entre Miguel Maga e Tony Strata na lateral-direita, elogiando a qualidade de ambos: “São dúvidas boas”, destacando a importância de haver “competitividade nas posições, como qualquer treinador gosta”. Olhando para a globalidade da época, e apesar da conquista da Taça da Liga, Luís Lameiras considera que o percurso da equipa podia “ter sido bem melhor”, face à “exigência que tem de se colocar no clube todos os dias”.

João Paulo, antigo jogador que representou Sporting, FC Porto e Vitória SC, oferece uma perspetiva única sobre a atmosfera em Guimarães. “O Vitória é um grande. Eu tinha mais gente a ver um treino em Guimarães do que um jogo quando eu estava na UD Leiria, por exemplo”, recorda, evidenciando a paixão dos adeptos. A sua experiência em campo reforça o arrepio que sente ao falar do Vitória. “Tive a felicidade de passar em alguns clubes, com o Sporting [2002 a 2003] e FC Porto [2006 a 2008], mas o Vitória faz arrepiar”, acrescentou o defesa. Ele recorda um jogo marcante em Alvalade: “Jogar nos estádios das equipas grandes é sempre difícil, mais ainda quando se está a perder 2-0. É por isso que digo que jogar no Vitória é diferente… De relembrar, até me arrepio. Lembro-me do mister Manuel Machado no banco a saltar quando fizemos o terceiro golo [por Bruno Teles, aos 88’]. Foi emocionante”, evoca o central. Sobre o desafio iminente, João Paulo antecipa a estratégia vitoriana: “O Vitória irá procurar intranquilizar o Sporting, adiar-lhe ao máximo o golo, tentar feri-lo, criando, assim, desconforto entre os adeptos da casa.” O ex-jogador ressalva a importância da concentração para os jogadores leoninos: “Por sua vez, os jogadores do Sporting têm que ser jogadores de equipa grande e estarem o máximo concentrados, porque estão numa fase muito complicada [cinco encontros seguidos sem vencer]. Nestas fases, tem de haver uma gestão muito grande para que não entrem para o jogo cabisbaixos, porque a intranquilidade pode surgir enquanto o golo não aparece e isso acaba por prejudicar a equipa.”

O contraste anímico entre as duas equipas é notório. O Sporting, que teve um mês de abril “pesadelo”, chega ao jogo em busca da “vitamina milionária” da Liga dos Campeões para curar a sua “depressão”. Por outro lado, o Vitória SC apresenta-se “muito moralizado”, vindo de duas vitórias consecutivas. João Paulo destaca a exigência do clube minhoto: “O Vitória tem sempre grandes equipas e é um clube com adeptos muito exigentes. Acredito que vão em massa até Alvalade e que, por isso, será um jogo dificílimo para o Sporting.” Reforçando a sua visão dos “grandes” do futebol português, o ex-jogador afirma: “Normalmente, as pessoas consideram que há quatro clubes grandes em Portugal, incluindo o SC Braga, mas para mim há cinco, porque eu passei naquela casa e sei bem da dimensão da exigência. Não é fácil para ninguém trabalhar no Vitória”, concluiu, em tom elogioso. Rui Borges, treinador do Sporting, reencontra Luís Lameiras e elogia o percurso do adversário. “É um miúdo, um jovem treinador em curva ascendente, de forma sustentada, acima de tudo. Está a chegar onde deseja, com os passos que deseja, com toda a certeza, com todo o mérito e toda a qualidade. Admiro-o muito. É um miúdo que tem lutado por isso”, referiu. Em relação ao cansaço psicológico, o técnico leonino foi perentório: “Não justifico com isso, mas que existe, existe. Temos de querer sempre ser melhores e jamais arranjar desculpas para o que for. Tínhamos de ser mais competentes, isso está fora de questão.”

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