O palco está montado para um embate de emoções contrastantes no Estádio José Alvalade, onde o Sporting e o Vitória SC se defrontam na 32.ª jornada da I Liga. Luís Lameiras, técnico vitoriano, faz a antevisão de um jogo onde a iniciativa será a palavra de ordem para a sua equipa. “Nós jogamos sempre de igual para igual com qualquer que seja o adversário”, declarou Lameiras, sublinhando a mentalidade do grupo. “Nesta casa, o ponto de partida será sempre disputar o jogo para vencer e é dessa forma que vamos entrar, como entrámos até agora em todos os jogos”, reforçou, mostrando a ambição de conquistar os primeiros pontos frente aos chamados “grandes” nesta temporada. O treinador manifestou o desejo de uma abordagem proativa: “Não sabemos bem o tipo de jogo que vamos esperar. Não sabemos como é que o adversário vai estar, mas sabemos como queremos estar. Sabemos que queremos muito assumir o jogo porque acreditamos que, assumindo o jogo, estamos mais próximos de chegar ao final com a vitória.”
Apesar de o Sporting atravessar um momento menos positivo e o Vitória estar em crescendo, a pressão estará presente nos dois lados. “São dois clubes que entram sempre pressionados para vencer os jogos. Obviamente que o Sporting, jogando em casa e depois desta série que não tem sido a melhor, acredito que estejam mais pressionados. Mas nós também estamos pressionados porque queremos deixar uma boa resposta, uma boa exibição e também queremos ganhar o jogo”, analisou Luís Lameiras. O técnico também abordou a “competição saudável” entre Miguel Maga e Tony Strata na lateral-direita, elogiando a qualidade de ambos: “São dúvidas boas”, destacando a importância de haver “competitividade nas posições, como qualquer treinador gosta”. Olhando para a globalidade da época, e apesar da conquista da Taça da Liga, Luís Lameiras considera que o percurso da equipa podia “ter sido bem melhor”, face à “exigência que tem de se colocar no clube todos os dias”.
João Paulo, antigo jogador que representou Sporting, FC Porto e Vitória SC, oferece uma perspetiva única sobre a atmosfera em Guimarães. “O Vitória é um grande. Eu tinha mais gente a ver um treino em Guimarães do que um jogo quando eu estava na UD Leiria, por exemplo”, recorda, evidenciando a paixão dos adeptos. A sua experiência em campo reforça o arrepio que sente ao falar do Vitória. “Tive a felicidade de passar em alguns clubes, com o Sporting [2002 a 2003] e FC Porto [2006 a 2008], mas o Vitória faz arrepiar”, acrescentou o defesa. Ele recorda um jogo marcante em Alvalade: “Jogar nos estádios das equipas grandes é sempre difícil, mais ainda quando se está a perder 2-0. É por isso que digo que jogar no Vitória é diferente… De relembrar, até me arrepio. Lembro-me do mister Manuel Machado no banco a saltar quando fizemos o terceiro golo [por Bruno Teles, aos 88’]. Foi emocionante”, evoca o central. Sobre o desafio iminente, João Paulo antecipa a estratégia vitoriana: “O Vitória irá procurar intranquilizar o Sporting, adiar-lhe ao máximo o golo, tentar feri-lo, criando, assim, desconforto entre os adeptos da casa.” O ex-jogador ressalva a importância da concentração para os jogadores leoninos: “Por sua vez, os jogadores do Sporting têm que ser jogadores de equipa grande e estarem o máximo concentrados, porque estão numa fase muito complicada [cinco encontros seguidos sem vencer]. Nestas fases, tem de haver uma gestão muito grande para que não entrem para o jogo cabisbaixos, porque a intranquilidade pode surgir enquanto o golo não aparece e isso acaba por prejudicar a equipa.”
O contraste anímico entre as duas equipas é notório. O Sporting, que teve um mês de abril “pesadelo”, chega ao jogo em busca da “vitamina milionária” da Liga dos Campeões para curar a sua “depressão”. Por outro lado, o Vitória SC apresenta-se “muito moralizado”, vindo de duas vitórias consecutivas. João Paulo destaca a exigência do clube minhoto: “O Vitória tem sempre grandes equipas e é um clube com adeptos muito exigentes. Acredito que vão em massa até Alvalade e que, por isso, será um jogo dificílimo para o Sporting.” Reforçando a sua visão dos “grandes” do futebol português, o ex-jogador afirma: “Normalmente, as pessoas consideram que há quatro clubes grandes em Portugal, incluindo o SC Braga, mas para mim há cinco, porque eu passei naquela casa e sei bem da dimensão da exigência. Não é fácil para ninguém trabalhar no Vitória”, concluiu, em tom elogioso. Rui Borges, treinador do Sporting, reencontra Luís Lameiras e elogia o percurso do adversário. “É um miúdo, um jovem treinador em curva ascendente, de forma sustentada, acima de tudo. Está a chegar onde deseja, com os passos que deseja, com toda a certeza, com todo o mérito e toda a qualidade. Admiro-o muito. É um miúdo que tem lutado por isso”, referiu. Em relação ao cansaço psicológico, o técnico leonino foi perentório: “Não justifico com isso, mas que existe, existe. Temos de querer sempre ser melhores e jamais arranjar desculpas para o que for. Tínhamos de ser mais competentes, isso está fora de questão.”