A gestão de Frederico Varandas no Sporting CP tem sido alvo de crescentes questionamentos, especialmente após um período de resultados aquém das expectativas. O inesperado empate com o Aves SAD, aliado a uma série de tropeços em competições importantes, como a eliminação na Supertaça frente ao Benfica e na Taça da Liga, e a dependência de escorregadelas para garantir o segundo lugar no campeonato, colocam em evidência a fragilidade da atual liderança do clube. A performance desportiva do Sporting, que partia como bicampeão e principal candidato ao título, gerou um debate intenso sobre as decisões estratégicas e a capacidade de liderança de Varandas, especialmente considerando a sua formação em medicina desportiva e a promessa de Alta Performance
durante a campanha eleitoral.
As dificuldades nos mercados de transferências são um ponto crítico apontado na gestão de Varandas. A inoperância nesta área resultou na contratação de jogadores como Jesé, Bolasie, Luiz Phellype e Fernando, que, segundo a análise, consumiram dezenas de milhões de euros para acabar por não serem utilizados por Rúben Amorim. Este cenário, que lembra o “desnorte de outros tempos” do clube, contrasta fortemente com o período de sucesso de Amorim. A decisão de contratar Rúben Amorim, uma escolha que muitos consideram ter sido um ponto de viragem para o clube, é vista como um momento em que Varandas “identificou competência e delegou”, entregando o futebol a quem tinha conhecimento. Contudo, após a saída de Amorim, a intenção de Varandas em reassumir um papel mais ativo na gestão do futebol é vista como um dos fatores que contribuíram para a atual instabilidade. A escolha inicial de João Pereira para liderar a equipa, antes da retificação com Rui Borges, é um exemplo da falta de critério apontada na gestão pós-Amorim, resultando num plantel com menor profundidade e soluções limitadas quando necessário, o que se tornou evidente em momentos cruciais da época.
A comunicação e a gestão física do plantel são outras áreas sob escrutínio. Enquanto a era Amorim era marcada por uma comunicação “única, clara e com as mensagens certas”, a atual gestão caracteriza-se por um presidente a falar “mais do que devia, em timings questionáveis e, muitas vezes, a exceder-se”. Declarações como a de que o Sporting “apenas tinha perdido um titular, Gyokeres”, e que o seu lugar tinha sido bem ocupado por Suárez evidenciam uma análise superficial das necessidades do plantel. A gestão de lesões, sem uma explicação convincente e sem responsabilização, num clube liderado por um presidente com formação em medicina desportiva, é particularmente preocupante. A situação física do plantel e a falta de rotação, embora Rui Borges pudesse ter gerido melhor, são, em última instância, reflexos de um mercado de transferências deficiente e de uma estrutura de gestão que, segundo a análise, não possui “liderança, visão e leitura” para um projeto desta dimensão. Para o futuro, sugere-se que Frederico Varandas deve, novamente, delegar a liderança do futebol a quem realmente tenha competência e, crucialmente, não interferir.