Frederico Varandas analisa a época do Sporting e defende que o insucesso é "resultado do sucesso"

  1. O sucesso europeu prejudicou o desempenho doméstico
  2. Sporting abaixo da média europeia de lesões
  3. Renovação de Rúben Borges planeada
  4. A forma de estar na vida importa mais que a vitória

Frederico Varandas, presidente leonino, ofereceu uma análise aprofundada da temporada do Sporting, justificando o desempenho da equipa com a elevada ambição desportiva e o desafio de competir em várias frentes. Em declarações, Varandas salientou a exigência do calendário, especialmente após a performance em competições europeias.

“Agarremos no líder do campeonato português, que é um justo líder do campeonato. Ponham essa equipa durante o ano a jogar contra a Juventus, Nápoles, Marselha, Ath. Bilbao, PSG, Bayern Munique, duas eliminatórias com o Bodo/Glimt, duas eliminatórias com o Arsenal. Agora pergunto-vos: a performance dessa equipa na Liga seria a mesma?”, questionou Varandas, dando imediatamente a resposta: “Eu acho que não. E aí, mérito do nosso rival que percebeu as suas competências e limitações e jogou apenas para um troféu. O FC Porto, inteligentemente, jogava na Liga Europa e rodava oito jogadores. E foi eliminado por uma equipa que está a lutar para continuar na Premier League”.

O dirigente reforçou a ideia de que o sucesso europeu teve consequências no desempenho doméstico. “Se quer a minha análise fria, racional do insucesso desta época... é o que o insucesso é resultado do sucesso. O Sporting chega até aos oitavos - é importante referir que estava muito tranquilo e achei que seria difícil passar os playoffs, foi muito desafiador passar aquela fase. Acontece que passámos com distinção, fomos a sétima equipa com melhor performance. Nos oitavos encontrámos uma equipa com muitas vantagens e é verdade que eliminámos essa equipa. Vendo o calendário desportivo das competições domésticas e sabendo quem viria a seguir eu tinha muita confiança de que se o Sporting não tivesse passado o Bodo teríamos o tricampeonato na mão. O Bodo foi um dos melhores jogos que vi na vida na história do Sporting. Para mim, essa vitória veio complicar as vitórias na Liga e na Taça”, afirmou (Varandas).

Recordando o primeiro título de Rúben Amorim, Varandas exemplificou a aposta num único objetivo. “Estamos aqui desde 2018, já conquistámos três campeonatos e houve um em que o Sporting não era a melhor equipa. E ganhou o campeonato. Não tínhamos as mesmas armas, mas metemos todos os ovos no mesmo cesto e fomos competentes”, apontou. Comparando a exposição competitiva do Sporting com a do líder do campeonato, o presidente leonino declarou: “A Liga dos Campeões não tem nada a ver com a Liga Europa. Nada a ver. Façam um simples exercício. Agarremos no líder justo e ponham essa equipa a jogar contra Juventus, Nápoles, Marselha, PSG, Bayern, Bodo, Arsenal e pergunto-vos. A performance seria a mesma no campeonato? Acho que não”.

Sobre as críticas ao plantel, Varandas foi assertivo: “Se o plantel é fraco então tenho de dizer que os dos nossos rivais ainda são mais fracos. Vocês comparam o incomparável”.

O presidente abordou ainda a questão das lesões, sublinhando que o Sporting se encontra abaixo da média europeia. “É altura de esclarecer com factos e ciência. O Sporting está desde 2013 num grupo de elite da UEFA. É um grupo com médicos, investigadores. Todos os anos há um recolha de dados, tudo é avaliado. O FC Porto e o Benfica já estavam antes. Todos anos há um tratamento dos adeptos. Sabem o número médio de lesões? Duas lesões por jogador. O que vai andar por 40 a 50 lesões ano. O Sporting está abaixo da média de lesões por ano. Há um ruído permanente. O Sporting foi jogar ao Dragão e o meu treinador só falavam de lesões. Não há uma notícia sobre lesionados do FC Porto. É moda. Depois temos de ver a qualidade da lesão. Analisem o Arsenal, o City. O Sporting tem um número reduzido de lesão muscular, que é a única que se consegue controlar. A maioria são traumáticas”.

Para fundamentar a qualidade do departamento médico do clube, Varandas revelou: “Não é que o nosso diretor clínico foi convidado para assumir a direção clínica de um clube top 5 da Premier League. E não é o City. O nosso fisio foi convidado para um clube que está no top-5. E não é que o coordenador da unidade performance também foi convidado. São três clubes diferentes. E não é que o nosso diretor clínico foi convidado para estar na final do Mundial”.

Sobre a renovação do contrato de Rúben Borges, Frederico Varandas explicou o timing: “Não tomamos decisões por marés, não navegamos à vista do que estão a dizer, do que vão sentir. O Sporting navega com base em acreditar em processos de trabalho. Já renovei com um grande treinador que terminou em 4.º lugar. Não é o momento desportivo, não é 15 dias de decisões que tomam o fator preponderante de uma decisão. A resposta do timing do ponto de vista de gestão é simples. O mister tinha mais um ano de trabalho, a maneira de ter estabilidade, a renovação a ajuda? Ajuda. Do ponto de vista negocial, como devem calcular, é muito mais difícil se for feita no último ano. São várias razões óbvias”.

Aos críticos, Varandas atirou: “Um presidente de um clube tem de perceber o que é o adepto. E eu percebo muito bem. Percebo muito bem a memória, a importância do presente na vida do adepto. Mas também quero que percebam que jamais decidirei como adepto. Críticos? São adeptos. Objetivos? Continuar a ser o que temos sido. Estes senhores aumentaram a fasquia. É um grupo mais vencedor dos últimos 70 anos. Desses adeptos têm de ter 80 anos para cima para se lembrarem de algo melhor”.

Por fim, o presidente leonino assumiu a responsabilidade pelo insucesso, mas com uma justificação: “Se não tivesse havido a remontada acredito que o campeonato seria nosso. Daria sempre parabéns aos profissionais do FC Porto, aos jogadores, tiveram muito mérito. Acima disso há coisas mais importantes. A forma de estar na vida, está muito acima da vitória ou da derrota”.

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