Rui Borges, o técnico do Sporting, fez uma análise profunda sobre as decisões tomadas no último jogo contra o AVS, a situação física da equipa, e o futuro do clube, incluindo a sua própria posição contratual. As suas declarações foram feitas na antevisão ao encontro com o Tondela, jogo de acerto de calendário da 26.ª jornada da Liga.
Questionado sobre as estratégias para o confronto com o AVS, Rui Borges explicou a sua perspetiva sem rodeios. “No que era o onze inicial, as opções tiveram de ser essas. Não ganhámos, nem deixámos de ganhar pelo que foram as opções do jogo. A expectativa de golos foi alta, tivemos oportunidades. Não fizemos um grande jogo, mas fizemos o suficiente, mais do que suficiente para ganhar. Tem a ver com o sentimento dos jogadores, e há jogadores esgotados que não conseguiam mais. Eles querem, mas o corpo não responde da mesma forma. Das opções que tínhamos, no sentimento e no diálogo, as opções foram sempre tomadas em conjunto”
, afirmou Borges.
Borges também desmistificou a perceção dos adeptos em relação às escolhas do treinador. “Hoje o adepto diz para meter o Manel, eu meto o Manel e o adepto diz que devia ter posto o António. O adepto é o adepto, em casa, com uma cervejinha e uma sandes mista, está tudo bem. Isto é muito além do onze para jogar e os que são melhores é muito relativo. Este treinador tem muito a ver com a ligação com os jogadores, o que eles dizem e sentem. Porque nesta fase, não há muito para treinar, há muito para respirar e ajudar a deixá-los o mais a 100% possível. Naquilo que foi este jogo, houve jogadores que claramente não estavam capazes de darem o seu contributo a 100% durante 60, 70 ou 80 minutos. No que é o diálogo coletivo, as opções tiveram de ser essas, mas não ganhámos ou deixámos de ganhar por essas opções. Fizemos muito, tivemos oportunidades de golo, só não fizemos golos. Não fizemos um grande jogo, mas fizemos mais do que suficiente para ganhar o jogo. Não tem a ver com as opções do treinador, tem a ver com o facto de que há jogadores esgotados e não dava mais para andar nessa parte do tentar, porque por mais que eles queiram, o corpo não responde da mesma forma”
, explicou o técnico.
Sobre a possível renovação do seu contrato, o técnico mostrou-se despreocupado com o timing. “Não sei dizer, não ligo a isso do timing. Eu estou feliz, trabalho, estou num grande clube. Infelizmente, nestas últimas semanas saímos da luta pelo tricampeonato, mesmo que matematicamente seja possível é difícil, o FC Porto está a uma vitória do campeonato. Tirando isso, estivemos até final em todas as competições, isso dita o trabalho, se é bem feito ou não. A confiança, já disse várias vezes, não tem a ver com o estender do contrato. Acima de tudo, o sentimento de confiança diário continua a ser, o rumo está traçado e o trabalho de todos bem feito. Queríamos ganhar sempre, infelizmente não vamos conseguir, e jamais deixarei que a culpa recaia sobre os jogadores, têm dado tudo e merecem o meu louvor”
, declarou Borges. Relativamente à questão de se, terminando em terceiro lugar na Liga, sente condições para continuar, foi direto: “Tenho contrato até 2027, é um não-assunto.”
Ao abordar a questão das lesões e se o Sporting falhou no mercado de inverno, Borges defendeu o planeamento do plantel. “O Sporting tem um plantel de 28 ou 29 jogadores, mais a equipa B… e se ao início adivinhássemos que íamos ter dez jogadores de fora… há coisas que não sabemos e que não controlamos. Fomos perdendo alguns jogadores, dos extremos que chegaram em janeiro, o Luís lesionou-se passado um tempo e o Faye, no nosso entendimento, teve mais dificuldades na adaptação. Entretanto, o Quenda e o Luís voltaram aos poucos e o Faye perdeu espaço nesse sentido. O plantel foi feito com 28 ou 29 jogadores. Não controlamos as lesões, senão tínhamos um plantel de 50 jogadores. Compete-nos esperar que não tenhamos mais lesões que não conseguimos controlar, a parte muscular nós controlamos como os outros e não fomos diferentes dos outros”
, detalhou o treinador.
Por fim, sobre o próximo adversário, o Tondela, o treinador alertou para a dificuldade do jogo. “Temos de focar-nos e vencer o jogo em casa, perante uma equipa que está a precisar de pontos, que com o novo treinador tem sido audaz, tem tentado ganhar mais algum protagonismo no jogo, que pressiona alto, que se expõe em alguns momentos. É uma equipa que vai dar a vida, mas nós também temos de dar. Já não dependemos de nós, mas temos de fazer a nossa parte”
, concluiu Borges.