O Boavista formalizou um pedido urgente de impugnação do leilão de imóveis que inclui o Estádio do Bessa. Esta decisão surge no âmbito da insolvência do clube, conforme confirmado pelo presidente axadrezado, Rui Garrido Pereira. A posição dos responsáveis do Boavista é clara e visa salvaguardar os interesses do clube face a um processo que consideram não refletir a realidade dos bens envolvidos.
Rui Garrido Pereira detalhou a motivação por trás desta ação legal. “O Boavista pediu ao tribunal a intervenção urgente num processo de venda de ativos, onde está incluído o estádio. A posição do clube é simples: o leilão, tal como foi apresentado, não reflete de forma completa a realidade associada aos bens”, vincou em declarações à agência Lusa. O presidente realça a necessidade de transparência e equidade em todo o procedimento. “Num processo deste tipo, é essencial garantir transparência, igualdade entre interessados e confiança no procedimento. O Boavista pede ao tribunal a suspensão/anulação do leilão nos moldes atuais”, acrescentou, reiterando a intenção de suspender o leilão tal como está configurado.
O requerimento foi submetido ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia. O Estádio do Bessa e o complexo desportivo adjacente estão previstos para serem leiloados por um valor mínimo de 32,9 milhões de euros, com o leilão agendado para decorrer entre esta segunda-feira e 20 de maio, sob a intermediação da Leilosoc. Já esta sexta-feira, João Loureiro, antigo presidente do clube portuense, alertou para a presença de abutres do imobiliário
na venda do Bessa, enquanto a claque Panteras Negras já havia tentado, anteriormente, impedir o leilão do estádio. O facto de o leilão, de acordo com o site da leiloeira LEILOSOC Worldwide, ter o seu início agendado para as 9h de 27 de abril, com a licitação do estádio do Bessa a começar nos 31.068.781,72 euros e o Complexo desportivo nos 6.786.75 milhões de euros, mostra a urgência da intervenção do Boavista.
O Estádio do Bessa, reinaugurado em 2003 e um dos palcos do Euro 2004, encontra-se inutilizado desde maio de 2025. Paralelamente a esta situação, o movimento Unidos pelo Boavista
entregou esta semana à Mesa da Assembleia Geral (MAG) um requerimento com 270 assinaturas, solicitando uma AG extraordinária para destituir a direção e nomear uma Comissão Administrativa. Rui Garrido Pereira confirmou a receção do documento, mas sublinhou que a MAG terá de avaliar e validar as assinaturas conforme os estatutos do clube antes de agendar qualquer reunião.
O Boavista, campeão nacional em 2001 e com 11 épocas consecutivas na Liga, enfrentou uma série de reveses. Em 2024/25, o clube desceu à segunda divisão, e a SAD falhou o licenciamento para as competições profissionais e nacionais, sendo administrativamente relegada para o escalão principal da associação do Porto. Atualmente, a SAD joga como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a mais de dois quilómetros do Estádio do Bessa, e já desceu à segunda divisão distrital, enfrentando ainda sete impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA. A direção do Boavista Clube ressalvou, no mesmo dia, que tudo fará para evitar a venda de ativos, o que demonstra a complexidade da situação enfrentada pelo clube.