Hidemasa Morita compara futebol português e japonês: "Aqui o futebol é a própria vida"

  1. Futebol português tem intensidade e velocidade diferentes.
  2. Futebol é visto como parte da vida em Portugal.
  3. Adeptos portugueses são "incríveis" nos dérbies.
  4. Morita demorou a adaptar-se a abraços e beijos

Hidemasa Morita, médio do Sporting, foi o convidado do programa “10 Mil Km, de Regresso ao Japão” da RTP2, onde abordou as diferenças culturais e futebolísticas entre Portugal e o seu país de origem. O jogador japonês refletiu sobre as dificuldades iniciais, a intensidade do futebol português e a paixão dos adeptos.

Morita começou por analisar as distinções no campo de jogo. “A meu ver reside no nível de intensidade, que é muito diferente. O Japão também tem jogadores incrivelmente habilidosos, com grande capacidade técnica e consciência tática nas várias equipas. Os fundamentos, aperfeiçoados através de treinos intensos desde tenra idade, fazem com que todos sejam muito bons. Mas quando se trata da intensidade do futebol, aqui joga-se um futebol com uma velocidade e potência que não podemos experimentar na liga japonesa. Aí reside a diferença clara”, explicou, sublinhando que esta foi uma das principais adaptações que teve de fazer. Esta intensidade não se reflete apenas no ritmo de jogo, mas também na forma como o desporto é encarado. “Por outro lado, o futebol português é agressivo e sente-se realmente que, tanto para os jogadores como para os adeptos, o futebol é a própria vida. É uma característica cultural que não temos no Japão”, revelou, destacando a paixão inigualável que encontrou em Portugal.

O médio nipónico não deixou de mencionar o fervor dos adeptos, especialmente nos jogos grandes. “É claro que há os dérbies, com o FC Porto, o Benfica e o Sporting, três grandes clubes. Sempre que há um jogo, os adeptos são incríveis, não é? Eles apoiam-nos e nota-se que o futebol faz parte da vida, não é apenas um desporto”, afirmou Morita, evidenciando a atmosfera vibrante que se vive nos estádios portugueses. Além das diferenças futebolísticas, Morita recordou os desafios culturais ao chegar a Portugal. “No Japão, quando nos encontramos com alguém pela primeira vez, fazemos uma vénia assim ou um aperto de mão, esses são os gestos básicos de saudação. Mas aqui, as pessoas abraçam-se e beijam-se [risos]. No princípio, fiquei muito surpreendido, senti-me um pouco desconfortável e envergonhado. Mas agora, depois de viver em Portugal há mais de cinco anos, quando me encontro com pessoas, especialmente mulheres, agora já consigo dar um abraço ou um beijo”, partilhou, numa clara demonstração da sua adaptação e integração. O jogador aproveitou ainda para encorajar outros compatriotas. “Acho que hoje em dia, se compararmos com a altura em que cheguei cá, os japoneses são muito mais valorizados e a qualidade dos jogadores japoneses é muito reconhecida. Os europeus têm uma impressão muito favorável do Japão, tenho a certeza de que serão bem recebidos. Não hesitem em vir para cá. Estou à vossa espera na Europa. Deem o vosso melhor”, concluiu, deixando uma mensagem de apoio e incentivo aos futebolistas japoneses com aspirações de jogar na Europa. O jogador, que termina contrato no final da temporada, prepara-se para deixar o Sporting a custo zero, mas o foco mantém-se em terminar a época da melhor forma e em assegurar um lugar na seleção japonesa para o Mundial de 2026. A SAD leonina já procura sucessores para o meio-campo visando a próxima época.

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