Augusto Inácio, figura proeminente do futebol português como antigo jogador, treinador e dirigente do Sporting, ofereceu a sua perspetiva sobre a crucial partida dos quartos de final da Liga dos Campeões entre o Sporting e o Arsenal. Com a desvantagem de 0-1, a equipa portuguesa enfrenta um desafio significativo no Emirates, em Londres, e Inácio sublinha a necessidade de uma maior agressividade ofensiva para inverter o resultado. “De cada vez que apanhar uma perda de bola do Arsenal, o Sporting não pode demorar a atacar, nem jogar para o lado ou para trás, senão dá oportunidade ao adversário para se organizar defensivamente. Já se percebeu que, quando é para defender, o Arsenal fá-lo com 11 e todos ficam atrás da linha da bola”
, afirmou o antigo internacional português à agência Lusa.
A análise de Inácio estende-se ao jogo da primeira mão, decidido por Kai Havertz aos 90+1 minutos, onde o Arsenal, líder isolado da Premier League e vencedor da fase de liga da Liga dos Campeões, levou a melhor. “Foi um jogo dividido e com alternâncias. Não se pode dizer que o Arsenal tenha sido uma equipa avassaladora e com grandes oportunidades. Foi calculista, cínica e jogou para o resultado da segunda mão. O Sporting também não se destapou muito, sob pena de ser surpreendido, e jogou naquela de tentar marcar um golo, mas também de não sofrer”
, analisou Inácio, destacando a postura cautelosa de ambas as equipas. A importância da concentração defensiva do Sporting nos lances de bola parada, que têm sido uma força do Arsenal, foi também valorizada pelo ex-lateral. Sobre o desempenho individual, Inácio elogiou: “Geny Catamo e Iván Fresneda estiveram excelentes em termos táticos e isso fez com que Gyökeres ficasse 'entalado' entre [os centrais] Gonçalo Inácio e, principalmente, Ousmane Diomande, que o marcou, não lhe deu qualquer hipótese e jogou limpinho. O Arsenal foi mais perigoso no lado direito, com o pé esquerdo do Noni Madueke, que jogou em vez do Bukayo Saka, mas o Sporting teve consistência a defender”
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Augusto Inácio antecipa que a primeira parte em Londres terá um tom semelhante ao jogo em Alvalade. “Estou convicto de que a primeira parte deste segundo jogo vai ser dentro do tom que se viu em Lisboa. Não estou a ver o Arsenal a expor-se muito, porque sabe que o Sporting é perigoso no contragolpe. Se o Sporting tiver de correr alguns riscos enquanto estiver 0-0, vai ser só no segundo tempo”
, previu. Inácio também abordou as diferenças no banco de suplentes de ambas as equipas, reconhecendo o impacto que a qualidade dos jogadores que entram em campo pode ter. “O Sporting tinha o Souleymane Faye, mas parece que o Rui Borges não acredita muito nele para aquele tipo de jogo. Quem é que ele tinha para, pelo menos, dar mais frescura? Acho que o Sporting perde por estar mais desgastado. O adversário colocou gente de grande qualidade e fisicamente disponível e os jogadores do Sporting não tiveram reação nesse passe do Martinelli. O banco marcou a diferença a favor do Arsenal”
, admitiu. Relativamente ao regresso de Hjulmand, ausente na primeira mão por suspensão, Inácio considera: “É um jogador de equilíbrios e complementa-se muito bem com Hidemasa Morita, sendo mais cerebral, frio e posicional que João Simões, que não jogou mal [a titular no encontro inicial da eliminatória]. É evidente que Hjulmand faz sempre falta a qualquer equipa, mas não é por estar disponível que o Sporting passa a ter mais possibilidades de ganhar”
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