Rui Borges e João Nuno analisam vitória do Sporting sobre o Estrela da Amadora

  1. Rui Borges analisou a vitória do Sporting sobre o Estrela da Amadora.
  2. Os jogos pós-Champions são sempre difíceis, segundo Rui Borges.
  3. Daniel Bragança está a ter um crescimento notável.
  4. João Nuno elogiou a atitude da sua equipa, apesar da derrota.

Rui Borges, técnico do Sporting, fez uma análise detalhada da vitória por 1-0 sobre o Estrela da Amadora, na 29.ª jornada da Liga, destacando a complexidade do desafio e o empenho da sua equipa. O treinador abordou a dificuldade dos jogos pós-Champions, a estratégia do adversário e a prestação individual de alguns jogadores, nomeadamente Daniel Bragança, Geovany Quenda e Eduardo Quaresma.

Sobre o jogo em si, Rui Borges salientou a exigência da partida: “Um jogo difícil, competitivo. Sabíamos disso e o discurso foi por aí, os jogos pós-Champions são sempre difíceis. São sempre jogos muito difíceis para nós, tínhamos de competir, o jogo foi muito isso. Controlámos o jogo com posse, mas faltou-nos inspiração. O Estrela defendeu com 11 jogadores dentro da área e tentámos não deixar o adversário sair em transição. Nós, muito com bola, mas com falta de inspiração no último terço, a equipa teve mentalidade e aí é que se veem muito os campeões”, afirmou o treinador.

O técnico leonino também realçou os desafios impostos pelas condições de jogo: “Na primeira parte a posse foi muito lenta, percebo a dificuldade e o vento condicionou muito o jogo. Os jogadores tiveram algum receio para fazer alguns passes e percebem que o vento torna as coisas diferentes. Tínhamos de vascular muito e a bola andar muito no corredor. Em alguns momentos ganhámos o último terço e fomos muito lentos, não estávamos a ganhar superioridade. Foi muito mais a lentidão da nossa posse do que a dinâmica da nossa equipa. É natural que tenha faltado alguma energia a um ou outro jogador nosso”, explicou Borges.

Borges elogiou a evolução de Daniel Bragança, fundamental na equipa: “Tem crescido, está um jogador ainda mais maduro, aliado ainda mais ao que é enquanto jogador. Ouvi alguém a dizer que ia ser treinador no futuro e não tenho dúvidas, tem uma capacidade de leitura do jogo acima da média. Teve uma paragem muito longa e precisou desse tempo, está numa boa fase. Os colegas veem nele essa capacidade para fazer a diferença a qualquer momento. Todos têm a confiança do treinador e isso é demonstrativo desde o início da época”, referiu o técnico.

O treinador sublinhou a importância de Bragança para esta fase decisiva do campeonato: “Muito feliz por vê-lo voltar, é um jogador importante e que estava a dar muito à equipa, teve uma paragem longa, a equipa está feliz por tê-lo de volta. É um jogador diferenciado e que pode ajudar nesta reta final do campeonato”, acrescentou Borges.

Ainda sobre a luta pelo título, Rui Borges mantém a crença na capacidade do Sporting: “É uma luta a três para mim, matematicamente ainda é possível uma luta a três. Estou focado no que controlo e no que é o Sporting”, disse.

A gestão física dos jogadores também foi um tema abordado, com Borges a justificar algumas das suas opções: “O Inácio foi gestão física, tinha o quarto amarelo, mas foi muito mais pela parte física, tem tido muitos minutos e veio tocado da Seleção. Vimos num mês com muitos jogos. O Quaresma e o Debast fizeram um jogo muito bom com o Santa Clara e mereceram a titularidade, mostra o caráter de todos para aproveitar as oportunidades que o míster lhes dá. O Morita fez 90 minutos, o Dani (Bragança) tem estado muito bem e era importante ter malta fresca. Não foram muitas mudanças, para poder dizer que era a pensar nos próximos jogos. Foi apenas uma pequena frescura física e mental”, detalhou o treinador.

Sobre a substituição de Fresneda, o treinador esclareceu: “O Fresneda saiu por queixas físicas, pelo acumular de minutos e de jogos, optámos por tirá-lo ao intervalo”, informou Borges.

João Nuno, treinador do Estrela da Amadora, também se mostrou orgulhoso da prestação da sua equipa, apesar da derrota: “Já dei os parabéns aos meus jogadores pela atitude que tivemos, pelo plano que cumprimos. Ficamos tristes pelo resultado. A jogar desta forma tenho a certeza de que vamos atingir os nossos objetivos, só podemos tirar coisas boas. Falei na antevisão que queria lutar pelos pontos em cada jogo e foi isso que o Estrela fez. Foi dos jogos deste campeonato em que o Sporting teve menos ocasiões de perigo. Temos muitos jovens, muitos jogadores que chegaram em janeiro. Estou muito orgulhoso dos meus jogadores pela forma como competimos”, afirmou João Nuno.

O técnico do Estrela analisou a estratégia tática da sua formação: “Sentimos que nos primeiros 15/20 minutos estávamos com dificuldades do lado esquerdo. Felizmente, numa paragem, conseguimos corrigir. Tudo o resto fazia parte do plano, não defendemos só baixo, foi bloco médio, algumas vezes defendemos mais baixo porque o Sporting nos levou para lá. Quisemos defender juntos e fechar os espaços. Às vezes fico espantado pelos comentários porque sei de onde venho e o que custa estar dos dois lados. Às vezes fico espantado quando passamos para o outro lado e esquecemo-nos do que fizemos. Eu sei bem o que a minha equipa fez aqui”, observou o treinador.

João Nuno recusou-se a comentar a arbitragem, focando-se no desempenho da sua equipa: “Na semana passada na Madeira [derrota 0-2 contra o Nacional] passou-se tanta coisa e não falámos nada. Porque é que vou falar hoje? Por ser o Sporting? Vamos falar do jogo, não tenho paciência. Temos de continuar a jogar mais à bola”, concluiu.

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