Bruno Torres assume seleção de futebol de praia enquanto FPF e Liga mantêm "guerra fria"

  1. Bruno Torres é o novo selecionador de futebol de praia.
  2. Mário Narciso é agora conselheiro da FPF.
  3. IVA dos bilhetes subiu de 6% para 23% em 2012.
  4. Proibição de fundos de investimento em 2014.

Bruno Torres é o novo selecionador português de futebol de praia, sucedendo a Mário Narciso, que passa a assumir um papel de conselheiro na Federação Portuguesa de Futebol (FPF). A notícia foi avançada pela própria FPF, que detalhou a transição na liderança da modalidade e o novo desafio de Mário Narciso. O anúncio marca uma nova era para a seleção de futebol de praia, com a expectativa de dar continuidade aos sucessos alcançados sob a alçada de Narciso.

A FPF, em comunicado, esclareceu a mudança de funções: “Mário Narciso vai deixar o cargo de selecionador nacional de futebol de praia para assumir a função de `advisor` do presidente da FPF e da estrutura da Direção Técnica Nacional para a modalidade. O novo selecionador nacional de futebol de praia será Bruno Torres”. Esta alteração surge após um período de grande sucesso para a seleção nacional, liderada por Mário Narciso, que acumulou um impressionante palmarés durante os 13 anos em que esteve à frente da equipa. A sua experiência e conhecimento serão agora utilizados numa função mais estratégica, visando o desenvolvimento e a manutenção do papel de liderança de Portugal no futebol de praia a nível mundial. Bruno Torres, que como jogador foi campeão mundial em 2015 e 2019 sob a orientação de Mário Narciso, já demonstrou as suas capacidades como treinador, conquistando vários títulos a nível de clubes, incluindo três campeonatos, cinco Taças de Portugal, dois Mundialitos de clubes e três Euro Winners Cup.

Mário Narciso expressou o seu sentimento sobre esta transição, afirmando: “Foi um verdadeiro privilégio ter, como selecionador nacional, contribuído para a evolução do futebol de praia português, bem expressa nos diversos títulos conquistados ao longo de mais de uma década. E será um privilégio continuar ligado à FPF, agora em funções diferentes e mais abrangentes, mantendo o mesmo espírito e a mesma ambição: continuar a contribuir, numa perspetiva mais global, para a evolução da modalidade, garantindo que Portugal continuará a assumir o seu papel de liderança no futebol de praia a nível mundial”. O presidente da FPF agradeceu a “dedicação demonstrada por Mário Narciso durante os mais de 10 anos como selecionador nacional, bem como o seu contributo para o crescimento da modalidade e todas as alegrias” que proporcionou. Bruno Torres assume as suas novas funções de imediato, na sequência do último estágio dirigido por Mário Narciso, que terminou em Sesimbra. Enquanto se assiste a esta transição no futebol de praia, o futebol profissional português enfrenta as suas próprias dinâmicas. Um olhar recente para a relação entre a FPF e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional revela um prolongado período de “guerra fria”, que já dura 15 anos desde 2012 e deverá atingir os 20 até 2031 com o atual presidente da Liga, Reinaldo Teixeira. Esta tensão é um ponto crucial para entender o panorama do futebol português, especialmente por causa do impacto na receita destinada aos clubes. Uma das ameaças mais evidentes desta falta de entendimento é a possibilidade de um acordo desfavorável na venda dos direitos televisivos, caso não haja um alinhamento estratégico para a centralização, que se considera inevitável. Além disso, foram destacados diversos fatores que, alegadamente, têm contribuído para uma perda de competitividade das equipas portuguesas nos últimos anos.

Em 2012, o IVA dos bilhetes subiu significativamente de 6% para 23%, e a taxa de IRS aumentou de 42% para 48% (com um adicional de 5% para rendimentos anuais acima dos 250.000 euros, sendo o salário médio na Primeira Liga em 2024 de 390 mil euros). Este agravamento fiscal “resultou numa grande desvantagem competitiva” para o mercado de jogadores, que é global. Outro obstáculo que teve um “golpe profundo na competitividade das equipas portuguesas” foi a proibição, em 2014, dos fundos de investimento na aquisição de direitos económicos de jogadores de futebol. Essas medidas tiveram um impacto visível, como se pode observar nos resultados europeus: entre 2003 e 2014, Portugal teve sete clubes em finais da Champions e da Liga Europa, vencendo três destas 11 finais disputadas por equipas portuguesas (o equivalente a 32% dos finalistas). No entanto, “Desde que foi decretada a proibição, nem mais uma vez uma equipa portuguesa esteve numa final europeia”. Este facto demonstra uma “perda de competitividade gigantesca” ao longo de cinco anos.

Acrescenta-se a esta análise a situação da APAF (Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol), que “está a dar passos firmes na direção errada” ao “misturar combate à violência com ameaças à liberdade de expressão”. Desde 2016, “o líder da APAF (...) transita diretamente para presidente do Conselho de Arbitragem da FPF”, uma situação que, embora “não seja incompatível ou ilegal, gera legítimas dúvidas”. Questiona-se, por exemplo, se “seria expectável que o líder da Associação dos Treinadores, escolhesse o próximo selecionador nacional?”. A APAF persiste na pretensão de ser “a única classe profissional em Portugal que não pode ser criticada”, o que é uma “causa perdida” e “uma pretensão irrealista e imoral num país democrático, em que os líderes das instituições são difamados diariamente”. As sanções aplicadas devido a “desabafos, a quente, no fim de um jogo” são consideradas desproporcionais, sendo que a APAF deve focar-se em “medidas que resolvam os problemas e não em procurar títulos de notícias que (...) podem ser considerados ofensivos para outros agentes desportivos”. Sugere-se que uma medida positiva seria “definir que a imagem da transmissão não se pode focar no árbitro principal no momento em que o VAR está a analisar um lance”, de modo a aliviar a tensão.

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