A penúltima convocatória de Roberto Martínez antes do Mundial de 2026 trouxe várias surpresas e deixou claras as intenções do selecionador nacional. Com a ausência de nomes habituais como Cristiano Ronaldo e Rúben Dias, ambos a contas com problemas físicos, Martínez abriu espaço para novas caras e regressos significativos, focando-se na energia e polivalência dos jogadores.
Entre os nomes que prometem agitar a dinâmica da equipa estão Tomás Araújo, Samu Costa, Mateus Fernandes, Rodrigo Mora, Ricardo Horta e Gonçalo Guedes. A inclusão destes jogadores sinaliza uma estratégia de renovação e uma busca por diferentes opções táticas. Numa declaração recente, o técnico destacou a importância desta aposta na juventude: "Jogadores jovens são muito importantes, mas não é só agora. Já chegaram o Pedro Neto, Xico Conceição, João Neves, a estreia do Gonçalo Inácio… Os jovens são importantes, o equilíbrio com os jogadores experientes também é importante. Temos a sorte que os nossos jogadores experientes são fantásticos a abrir as portas e o espaço aos mais jovens. Também trabalhamos com os Sub-21 como primeiro passo para a seleção A. O talento jovem, especialmente em Portugal, é muito importante para a seleção A”, afirmou Roberto Martínez.
A polivalência, especialmente nas laterais, é outro aspeto crucial para Martínez. O selecionador demonstrou confiança nas opções disponíveis, sublinhando que “é uma reflexão, o que é importante é ter um grupo de jogadores com polivalência. Para nós, a posição de lateral esquerdo, é uma posição que um jogador de pé direito pode jogar como lateral esquerdo. Temos o Nuno Mendes, que é lateral esquerdo, temos o João Cancelo que está a jogar numa das melhores equipas do mundo na posição de lateral esquerdo. Para nós, as duas posições, lateral direito e lateral esquerdo, estão bem preenchidas, com Diogo Dalot, Matheus Nunes, João Cancelo e Nuno Mendes. Não é uma questão de mais jogadores. Temos vinte posições na seleção, a polivalência é importante. É uma reflexão que já fizemos em novembro. Temos de ter todas as posições cobertas.”
Em relação a alguns dos novos nomes, Martínez deixou transparecer a sua visão para a adaptação e o impacto dos mesmos na equipa. Sobre Samu Costa, o treinador referiu que “O Samu é um jogador que já conhecemos, a sua impressão foi muito boa, mas acho que mudou. Queremos utilizá-lo numa nova posição, no seu clube está a jogar numa posição muito dinâmica, está num momento muito bom. É também o aspeto da energia. Falei numa exigência deste Mundial vai ser a energia no dia porque é um Mundial muito complexo. A energia do Samu e do Mateus Fernandes podem vir a ser importantes dentro do convívio da seleção.”
Os próximos amigáveis contra México e Estados Unidos serão cruciais para testar estas novas dinâmicas. Martínez vê nestes confrontos uma oportunidade valiosa para afinar a equipa, declarando: “Acho que é uma boa oportunidade para defrontar equipas que têm muita personalidade, defrontar equipas que gostam do um-para-um em todo o campo. Acho que podemos experimentar a nossa saída, a construção sob a pressão do México e dos EUA. É uma pressão ao homem com muita intensidade. São aspetos que podemos experimentar bem taticamente que podemos encontrar frente a equipas da Concacaf.”
Com esta convocatória, Roberto Martínez demonstra uma clara intenção de construir uma equipa versátil e cheia de energia, capaz de responder às exigências de um Campeonato do Mundo que se avizinha complexo.