O Sporting prepara-se para um dos maiores desafios da sua temporada, enfrentando o Bodo/Glimt na segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Após uma derrota por 3-0 na Noruega, a equipa portuguesa necessita de uma exibição memorável para garantir a passagem aos quartos de final. O ex-futebolista e treinador Pedro Gomes, figura histórica dos leões, partilha o seu ceticismo e esperança para o confronto em Alvalade: “Vai ser muito complicado, porque este adversário apresenta um futebol rapidíssimo e muito apoiado e destroça qualquer equipa. Acho que o Sporting não consegue dar a volta [à eliminatória], mas ficava feliz se o fizesse. Fazer uma boa exibição e ganhar o jogo já era agradável”, disse. A atmosfera em Alvalade promete ser intensa, com o Bodo/Glimt a anunciar que esgotou os bilhetes disponíveis, trazendo 2.636 adeptos para apoiar a equipa norueguesa.
A preparação para este embate crucial tem sido focada na recuperação e na mudança de mentalidade. Após dois dias de folga, o plantel leonino retomou os trabalhos com a clara intenção de apagar a imagem deixada na Noruega. Rui Borges, o treinador do Sporting, não hesita em apostar num onze de gala
, com o regresso de peças chave como Maxi Araújo e Pedro Gonçalves, que falharam a primeira mão do confronto. De facto, Pedro Gomes realça que “a velocidade foi a grande diferença. O Sporting está bem internamente, mas não teve embalagem para segurar o Bodo/Glimt. Deveria ter jogado mais fechado e aproveitar o contra-ataque, mas quis jogar aberto e foi a 'morte'”, afirmou.
O aspeto tático e a condição física dos jogadores também foram abordados por Pedro Gomes, que destacou a intensidade do adversário. Os noruegueses, semifinalistas da Liga Europa em 2024/25, mostraram-se em grande forma, correndo mais 10 quilómetros na primeira mão. “Quando tudo parecer que já está acabado, devem surgir novas forças nos atletas para que o Sporting ainda esteja vivo e possa dar a volta. Se marcar um golo cedo, o público vai ajudar e apoiará a equipa até ao fim. Cada jogo é diferente e, como os portugueses gostam muito de bacalhau, pode ser que 'comam' os noruegueses”, ironizou Pedro Gomes, apelando à crença e ao apoio dos adeptos. O facto de ambas as equipas não terem competido internamente entre as duas mãos é visto como um ponto positivo por Pedro Gomes, que acredita que “será bom para as duas equipas, porque vão descansar e estar com mais força, dinâmica e entrega”, acrescentou.
A história das competições europeias do Sporting conta com apenas uma reviravolta de três golos de desvantagem, ocorrida em 1963/64 frente ao Manchester United na Taça das Taças. Pedro Gomes, que foi totalista nesse confronto histórico, compara a importância de alguns jogadores atuais com figuras do passado. “Eu comparo o Osvaldo ao Luis Suárez, que não tem a mesma técnica, mas vai a todas e é um ponta de lança exímio. Depois, admiro muito o Francisco Trincão. Não sei se é para fazê-lo descansar, mas, quando o treinador o tira, a equipa cai completamente [de desempenho]”, concluiu. Se o Sporting conseguir o milagre
e avançar, irá defrontar o vencedor do confronto entre Arsenal e Bayer Leverkusen nos quartos de final, um desafio que se afigura ainda mais exigente, mas que os leões estão determinados a perseguir com a garra e o espírito que já demonstraram no passado.