Sporting e o desafio de reverter uma desvantagem de três golos na Liga dos Campeões

  1. Sporting perdeu 3-0 na Noruega
  2. Sporting nunca reverteu 3+ golos
  3. Bodo/Glimt tem futebol "rapidíssimo"
  4. Sporting goleou Manchester United 5-0 em 1964

A derrota por 3-0 na Noruega, frente ao Bodo/Glimt, colocou o Sporting numa posição delicada na Liga dos Campeões. A equipa nórdica, com um futebol “rapidíssimo e muito apoiado”, impressionou Pedro Gomes, antigo defesa-direito internacional português, que atuou pelos leões entre 1960 e 1973 e os treinou em 1984/85. Referindo-se ao jogo de volta, Gomes antecipa um duelo de grande complexidade: “Vai ser muito complicado, porque este adversário apresenta um futebol rapidíssimo e muito apoiado e destroça qualquer equipa. Acho que o Sporting não consegue dar a volta [à eliminatória], mas ficava feliz se o fizesse. Fazer uma boa exibição e ganhar o jogo já era agradável”, afirmou à agência Lusa. Gomes salientou a disparidade de andamento entre as duas equipas na primeira mão: “A velocidade foi a grande diferença. O Sporting está bem internamente, mas não teve embalagem para segurar o Bodo/Glimt. Deveria ter jogado mais fechado e aproveitar o contra-ataque, mas quis jogar aberto e foi a 'morte'”, admitiu.

A análise do desempenho do Bodo/Glimt revela um modelo de sucesso que contraria muitas das práticas no futebol português. O texto sugere que o clube norueguês, inserido numa cidade de 50 mil habitantes, soube potenciar os seus pontos fortes e compensar as suas limitações. A fidelidade da sua base de apoio, apesar de pequena, é identificada como uma das maiores forças. Dirigentes do Bodo/Glimt “perceberam isso desde cedo”, optando por um estádio com cerca de oito mil lugares, um número “aparentemente pequeno, mas ajustado à realidade do clube”. Esta conexão entre clube e comunidade é vista como um fator crucial: “Essa ligação cria algo muito poderoso: o futebol torna-se também uma forma de projetar a cidade no mundo”, indica o artigo. A comparação com o SC Beira-Mar, outrora um clube com forte ligação à comunidade de Aveiro, é feita para ilustrar como a perda desse vínculo pode ser fatal: “O problema do Beira-Mar, e de muitos outros clubes espalhados por Portugal, é que quem os dirige muitas vezes não percebe que a sua maior força está precisamente nessa ligação com a comunidade. Em vez disso, transformam-se os clubes em entrepostos de jogadores ou em plataformas para investidores. Os clubes que perdem a ligação com as suas gentes acabam, quase sempre, por ter o destino traçado.” Este cenário contrasta com a forma como o Bodo/Glimt encara o sucesso. “No Bodo/Glimt, ganhar não é o objetivo principal. Ganhar é apenas a consequência de um trabalho sério, racional e sustentado que vem sendo feito há muitos anos.”

Olhando para o passado, o Sporting já demonstrou capacidade para grandes reviravoltas na Europa. Pedro Gomes recorda a épica eliminatória da Taça das Taças de 1964, quando os leões defrontaram o Manchester United. “O Sporting fez um milagre. Perdemos em Inglaterra com dois penáltis que não existiram, mas acreditámos que íamos dar a volta [à eliminatória]. Em Lisboa, o público queria ver Denis Law, Bobby Charlton ou George Best e assistiu à melhor exibição de sempre do Sporting”, relembrou. O Sporting goleou o Manchester United por 5-0 no antigo Estádio José Alvalade, revertendo a derrota por 4-1 sofrida em Inglaterra. Pedro Gomes, que teve a tarefa de marcar George Best, recorda: “Tocou-me [defender] o Best, que era o mais habilidoso deles. O treinador falou comigo e disse que eu seria o 'best' [o melhor, em tradução livre] do jogo. Nem sabia falar inglês, mas fiquei esclarecido com a ajuda do [colega de equipa] Alexandre Baptista e motivei-me muito.” A mudança de treinador a meio da eliminatória, com a saída de Gentil Cardoso e a entrada de Anselmo Fernández, foi crucial: “O Anselmo era um grande motivador, acreditava sempre e tinha uma ideia do futebol diferente, apesar de não ser treinador. O Gentil dizia sempre o mesmo e já se estava a tornar um pouco aborrecido. A troca foi muito boa, sobretudo psicologicamente, pois não tínhamos muita fé no Gentil”, referiu. Pedro Gomes sublinha o valor daquele feito: “É o único título europeu ou mundial do Sporting no futebol e deu grande riqueza ao clube.” Contudo, desde essa altura, o Sporting nunca mais retificou eliminatórias europeias iniciadas com derrotas por três ou mais golos, um desafio que se impõe na receção ao Bodo/Glimt.

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