Bruno Sá e Frederico Varandas, candidatos à presidência do Sporting, travaram um debate intenso e atípico
, nas palavras de Varandas, que se prolongou por mais de duas horas. A discussão centrou-se em questões financeiras e na visão para o futuro do clube, com Sá a lançar críticas veementes à atual gestão e Varandas a defender as suas decisões.
Bruno Sá, também conhecido como Bruno Sorreluz, não hesitou em expressar a sua preocupação com o rumo do Sporting. “Não vamos estar a falar em percentagem… acho que é importante as pessoas virem votar e que quem ganhe tenha uma oposição vigilante. Há uma série de coisas que se estão a passar no clube, um afastamento muito grande dos sócios e um aumento do passivo muito grande”
, acusou Sá, sublinhando a sua visão para um Sporting diferente: “É a decisão desta direção, que caminha para um clube mais de clientes, um clube comercial, mais uma ‘hub’ de entertainment… sou pelo clube dos sócios, do esforço, dedicação, devoção e glória”
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Relativamente a uma possível recandidatura em 2030, Bruno Sá mostrou-se pragmático e dependente do apoio dos associados. “Não posso fazer essa promessa, os sócios vão decidir isso. A minha intenção é voltar, mas isso vai depender da votação, se tiver voz, se algumas coisas que espero que não aconteçam e que estou a pensar e para as quais eu representei e alertei... Como disse, a decisão é deles - se eu não vencer e os sócios me derem uma boa votação, obviamente que há vontade da minha parte”
, afirmou. Sá também criticou a alegada falta de condições para o sucesso da equipa, referindo que Varandas “não ofereceu as condições para que o técnico sportinguista possa garantir o sucesso desportivo que o clube de Alvalade deseja e que, nesse contexto, prolongaria o seu vínculo contratual”
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Frederico Varandas, por sua vez, defendeu as suas ações, nomeadamente o financiamento de 225 milhões de euros para a remodelação do Estádio José Alvalade e outras infraestruturas. “Estou profundamente cansado, não do debate. Estou há mais de 24 horas acordado. Eu diria que foi um debate atípico, mas sou muito pragmático e racional e agarro-me aos factos”
, começou por dizer. Quanto ao financiamento, Varandas usou as agências de rating como argumento: “O Sporting não apresentou [somente] um [pedido de] empréstimo de 225 milhões (...) Houve uma procura gigantesca das agências de rating, que avaliam o grau de risco, que consideraram este investimento muito positivo. Por isso, estamos mais do que confortáveis, está explicado num documento com mais de 100 páginas”
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As eleições para os órgãos sociais do Sporting, que determinarão quem liderará o clube no quadriénio 2026/2030, prometem ser um momento decisivo. As propostas de ambos os candidatos, especialmente as que abordam a gestão financeira e o futuro do clube, estão agora nas mãos dos sócios. Bruno Sorreluz concluiu, por fim: “Tinha de alertar e tinha de saber, tentar encontrar aqui algumas justificações para o rumo que o Sporting está a tomar, só para clientes. Apresentei as minhas propostas no papel, não tive tempo de as apresentar aqui”
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