Bruno Sorreluz, candidato à presidência do Sporting, em oposição a Frederico Varandas, expressou a sua profunda preocupação com a gestão financeira do clube e a falta de visão para o futebol e as modalidades. Em entrevista, Sorreluz afirmou que a sua candidatura visa “abrir os olhos a muita gente”. Ele realça que, apesar do momento vitorioso, há um distanciamento significativo entre a direção e os sócios. “A principal razão da minha candidatura são os sócios. O Sporting está num momento de vitórias, é verdade, mas há um grande distanciamento dos sócios e poucos canais para discutir o Sporting. Falta de projeto desportivo e falta de democracia. Isso fez-me avançar”, explicou o empresário.
Sorreluz, que possui uma ligação de 40 anos ao clube como antigo ginasta e basquetebolista, lamentou a forma como o Sporting se tem afastado dos seus membros. “São 40 anos disto. Ia assinar pelo futebol na formação quando acabei por ir para o basquetebol por influência do meu irmão. Era base. Tinha jeito e até apareci uma vez no jornal do Sporting como uma grande promessa. Quando o basquetebol foi extinto, continuei a ter uma ligação muito forte ao clube”, partilhou. O seu restaurante, o 'Cantinho do Sá', tornou-se um ponto de encontro para atletas, diretores, sócios e claques, onde recolhe o descontentamento geral. “Tornou-se numa casa emblemática. Vêm cá atletas, diretores, sócios de todo o tipo, antigos e recentes, e membros das claques. E isso fez-me querer representar muita gente, pessoas que percebem que, mesmo com as recentes vitórias, há coisas que não estão bem. E é preciso alertar aqueles que não percebem isso”, sublinhou. Curiosamente, a ausência de Frederico Varandas no seu estabelecimento não passou despercebida: “Curiosamente, o Frederico Varandas é das poucas pessoas que nunca meteu cá os pés”.
Bruno Sorreluz criticou a gestão atual, acusando Frederico Varandas de priorizar aspetos empresariais em detrimento dos sócios. “O Sporting está virado para a parte empresarial e não para os sócios. Não penso o Sporting dessa maneira. Restará muito pouco aos sócios. Quem vive o clube de 15 em 15 dias acha que está tudo bem. Quem vive como eu, diariamente, sabe que não”, afirmou. Em tom de denúncia, o candidato sugeriu uma espécie de “ditadura” dentro do clube, referindo que Varandas “só quer ser presidente daqueles que pagam”. Ele descreveu as dificuldades encontradas desde que formalizou a sua candidatura. “Vivemos o que parecem ser tempos de ditadura. Subitamente, fui impedido de escrever em algumas publicações e, desde que sou candidato, já apareceu a polícia aqui quatro vezes. Varandas leva a minha candidatura como uma afronta e não como democracia”, frisou. No que concerne ao futebol, Sorreluz elogiou o técnico Rui Borges, destacando o seu “caráter e humildade”, que, segundo o candidato, “tem disfarçado” a falta de um projeto sólido após a saída de Ruben Amorim. Ele expressou ainda preocupação com aspetos financeiros “pouco claros”, como um empréstimo de 250 milhões de euros e o aumento das dívidas, enquanto observa aumentos salariais para o presidente sem consulta aos sócios. “Há um empréstimo de 250 milhões de euros pouco claro. O Sporting está a ganhar, mas as dívidas estão a acumular-se, por exemplo aos fornecedores, e o passivo também está a aumentar. Entretanto, há aumentos sucessivos para o presidente sem ouvir os sócios”, questionou. Por fim, criticou a falta de investimento na Academia de Alcochete e nas modalidades, onde se discutem valores irrisórios enquanto milhões são movimentados no futebol. “Há um grande problema de relvados na academia. No futebol feminino, ninguém percebe quem lidera. Há falta de investimento nas modalidades e os atletas sentem falta de um presidente presente, de apoio do presidente. Quando a bola entra, as pessoas não estão atentas, mas eu estou e estou cá para isso”, concluiu.