Na antevisão do próximo desafio, Rui Borges, técnico do Sporting, abordou as complexas decisões que terá de tomar para a posição de lateral-esquerdo, uma vez que Maxi Araújo está castigado e Ricardo Mangas lesionou-se. A urgência em encontrar uma nova solução levou o treinador a refletir sobre as alternativas disponíveis, destacando a situação de Nuno Santos e a inclusão de David Moreira na convocatória. “Almofada? Tenho de perceber algumas coisas com os adjuntos. O Nuno e o Dani [Bragança] vieram de lesões no joelho. Mas a adaptação ao relvado não será apenas para os que estiverem lesionados. Todos os outros têm de se adaptar”, revelou Rui Borges, evidenciando a cautela com os jogadores que regressam de lesão prolongada. Posteriormente, o técnico reforçou a ideia de que a disponibilidade de Nuno Santos está em aberto: “Se está aqui, é porque pode jogar. Vamos ver, se não jogar ele, terei de adaptar alguém. E ainda há o [David] Moreira, que também está na convocatória. Às vezes...” A presença de David Moreira na lista de convocados sugere uma oportunidade para o jovem jogador.
Rui Borges aprofundou a análise sobre Nuno Santos, cujo regresso após uma longa paragem por lesão inspira cuidados. “O Nuno vem de uma paragem longuíssima. Naquilo que é a parte física, ainda não é ele. Técnica e taticamente, está lá. Gosto de perceber o que ele acha; nós também, de fora, temos a nossa perceção, porque senão o jogador, mesmo a andar a passo, diz que está bem. Todos querem jogar”, explicou, sublinhando que a perceção do treinador pode divergir da autoavaliação do jogador. Questionado diretamente sobre a possibilidade de Nuno Santos ser titular, face ao risco do sintético e a uma lesão prolongada, Borges manteve a sua postura cuidadosa: “O Nuno, é claro que vem de uma paragem muito longa, de uma lesão gravíssima. Já tive a oportunidade de falar disso. É claro que naquilo que é a parte física o Nuno não é o Nuno ainda e vai levar aqui algum tempo. A parte técnica está lá, é um jogador extraordinário, a parte tática também. Agora, naquilo que o pudermos ajudar, naquilo que é o crescimento dele, é também dentro daquilo que é muito comunicação que gosto de ter com o atleta, perceber de que forma é que ele se sente, o que é que acha. Nós também, depois de fora, temos a nossa perceção. Porque senão o jogador vai dizer sempre que está bem. Mesmo que ande a passo, ele diz que está bem. Eles querem jogar todos. Agora, é claro que o Nuno está à procura, e vai levar algum tempo, porque a lesão dele não foi uma lesão normal e não podemos fugir disso, ele sabe. Agora que é um guerreiro, se há alguém que poderia ter superado isto, e poderá voltar a ser o mesmo Nuno é ele.”
A gestão do plantel e as escolhas para o próximo jogo, especialmente num terreno sintético, são foco das preocupações de Rui Borges, que revelou a importância das conversas com a sua equipa técnica e os jogadores. “Não, penso que os dois jogos vão ser decisivos, e foi o que acabei de dizer, o Bodo já fez grandes jogos em casa, mas já fez grandes jogos fora e já ganhou a um Atlético de Madrid, por exemplo, que é um tipo de jogo parecido naquilo que é intensidade e exigência individual e coletiva, e o Atlético em sua casa foi derrotado pelo Bodo, dita bem aquilo que é a qualidade da equipa, o jogo de amanhã não vai ser decisivo, nem o jogo em casa, é o conjunto das duas mãos, e aquele que for mais forte passará aos quartos de final, a ambição será das duas equipas, com toda a certeza, de igual forma. Em relação à parte da almofada, vou falar com os adjuntos e mesmo os jogadores, é perceber aqui algumas coisas entre hoje e amanhã, para percebermos qual é o melhor onze para o jogo. Há jogadores que, por exemplo, o Nuno, o Dani [Daniel Bragança], vieram há pouco tempo de lesões de joelho, é perceber um bocadinho o impacto que vão ter, aquilo que é a adaptação ao campo, mas não só da malta que esteve lesionada, com lesões mais graves ou demoradas, toda a outra malta, cada um à sua maneira vai ter de se adaptar e a exigência de se adaptar ao relvado e ao campo será também determinante perceber hoje no treino”, concluiu Rui Borges, antevendo o caráter decisivo da eliminatória e as nuances que o jogo em campo sintético pode trazer. A decisão de adiar o jogo com o Tondela, explicou o treinador, visou dar à equipa um merecido descanso e tempo para recuperar após uma sequência de jogos exigentes. “Temos esse direito. Temos essa oportunidade e optámos por ela, porque vínhamos de três jogos seguidos e vamos ter o de amanhã também. Jogos de exigência grande, a nível físico, mental. É importante, dentro daquilo que é a exigência dos dois jogos também, da eliminatória da Champions. Se temos esse direito, é tirar proveito dele. Noutros momentos, se calhar tínhamos, mas não podíamos adiá-los. Se calhar tínhamos adiado um ou outro, mas não conseguimos. É o que é, são as leis, são as regras e temos de cumpri-las e aceitá-las. Gostávamos de ter sempre semanas normais, a equipa respira mais, treina um pouquinho mais também. Nestes dias é só recuperar, recuperar, recuperar, treinar é muito pouco. É recuperar em vez de mais nada. É observar”, acrescentou, justificando a decisão que demonstra a preocupação com o bem-estar físico e mental dos seus atletas.