Carlos Xavier, antigo futebolista do Sporting, analisou a trajetória do clube na Liga dos Campeões e revelou os motivos que, no seu entender, condicionaram o sucesso leonino na prova. O ex-internacional português, que jogou pelos “leões” em duas passagens distintas, entre 1980 e 1991 e de 1994 a 1996, não poupou nas palavras ao abordar o tema.
A chegada do Sporting à fase a eliminar da Liga dos Campeões em três das últimas cinco edições deve-se a uma nova correlação de forças na I Liga, defende o ex-futebolista Carlos Xavier. “O Sporting não foi mais vezes à Liga dos Campeões [nas décadas anteriores] porque estava tudo minado para nunca ganhar o campeonato. A partir do momento em que começou a lutar em igualdade com as outras equipas, tem vencido mais vezes. Esperemos que assim continue”, analisou à agência Lusa o antigo médio internacional português, de 64 anos. Ele também comentou sobre a mudança de formato da competição, “Este formato exige muitos jogos e tem mais equipas fortes. Não é como antes, em que praticamente só havia uma por país”.
Carlos Xavier participou na campanha de 1982/83, quando o Sporting atingiu os quartos de final da Taça dos Campeões Europeus. A equipa eliminou o Dínamo Zagreb e o CSKA Sofia, antes de defrontar a Real Sociedad. Apesar da vitória em Lisboa por 1-0, os espanhóis viraram a eliminatória no País Basco com um 2-0. “O árbitro puniu uns passos a mais com a bola na mão do [guarda-redes] Ferenc Mészáros na nossa área e eles empataram a eliminatória de livre indireto. O Sporting teve azar”, recordou Carlos Xavier, que foi totalista nos dois duelos e marcou um golo ao CSKA Sofia, o único da sua carreira na prova. Ainda sobre a eliminação, o antigo médio referiu a instabilidade no comando técnico. “Ninguém estava à espera nem queria, mas o Malcolm Allison saiu no início da época e ter um colega nosso a assumir o comando da equipa não caiu muito bem. Passámos por momentos difíceis”, lembrou, numa altura em que António Oliveira assumira o comando técnico como jogador-treinador. O Sporting acabou por falhar a revalidação do título, terminando em terceiro lugar, a nove pontos do campeão Benfica.
Na década seguinte, Carlos Xavier fez um percurso entre Lisboa e San Sebastián, onde foi colega de figuras como Larrañaga, Agustín Gajate ou Alberto Górriz, tendo jogado 109 jogos e marcado 12 golos de 1991 a 1994, entre as suas duas passagens pelo Sporting. O também antigo médio português Oceano Cruz fez o mesmo percurso, sempre sob o comando do galês John Toshack, que tinha treinado os leões em 1984/85 e conquistado uma Taça do Rei de Espanha em 1986/87, no primeiro de três períodos com a Real Sociedad.