A polémica instalou-se no Clássico da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, após o triunfo do Sporting sobre o FC Porto por 1-0. As conferências de imprensa pós-jogo foram palco de uma troca de acusações entre os treinadores Rúben Amorim e Sérgio Conceição, com a arbitragem e as atitudes dos jogadores a serem os principais alvos. Sérgio Conceição não poupou críticas à arbitragem de Cláudio Pereira, que considerou polémica, e à postura do Sporting. “Fizemos bem o nosso trabalho, em especial na primeira parte, com todos os jogadores nas posições certas. Estivemos muito bem. A melhor imagem da primeira parte é perceber que os nossos rivais precisaram de 20 minutos para voltarem do intervalo, para encontrarem o ajuste certo ao que apresentámos. Isso é interessante, porque o intervalo dura 15 minutos em todo o mundo, mas eles têm o luxo de poder decidir quando voltar. Tiveram esse tempo extra”
, afirmou o treinador do FC Porto, levantando a questão do prolongado período de intervalo usufruído pelos leões
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O técnico azul e branco
prosseguiu apontando o dedo a lances específicos e à conduta dos jogadores do Sporting. “Na segunda parte, tive de tirar o Alberto [Costa] pelo cartão amarelo que viu num lance em que nem era falta. Os jogadores do Sporting deviam ter visto três amarelos antes desse lance e houve a situação com o [Jan] Bednarek, que é evidente. Amanhã, as pessoas que mandam vão poder ver as imagens e aplicar as consequências certas ao jogador [Luis Suárez]. E há imagens interessantes de um grande gesto, no final da primeira parte… Algo que não deixa margem para interpretação, era bem claro o que queria dizer. Se seguirem as regras, sabemos o que devia acontecer”
, declarou Conceição em relação a um gesto de Luis Suárez e à atuação do árbitro. Referindo-se ainda a uma grande penalidade e à figura de Morten Hjulmand, o treinador italiano criticou: “O penálti é claro. Não há dúvidas, sem discussão. Mas, 30 segundos antes, há uma falta clara sobre o Pepê, que conduz à ação que resulta no penálti. Depois é o 'micromanagement' do jogo: os cartões, um jogador fantástico como o [Morten] Hjulmand a poder ir sempre para cima do árbitro gritar, queixar-se… Acontece em todos os campos”
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Rúben Amorim, por sua vez, reagiu às críticas de Conceição, defendendo os seus jogadores e o Sporting, e lembrando episódios do Clássico da I Liga. “Esse lance não vi, mas, se fez esse gesto, possivelmente, estaria a fazer a algum jogador do FC Porto, por roubar bolas. Agora, o caráter de Luis Suárez fala por si e pela marca que tem deixado no futebol português. Nem sequer é assunto meter em causa o caráter de um atleta. Sérgio Conceição devia olhar para os seus”
, começou por afirmar. Sobre o tempo de intervalo alongado, o técnico leonino retorquiu: “O adversário está muito focado no que é o Sporting, e tem de se focar no que é o FC Porto. Poderia dizer que, desde que sou treinador, nunca tinha visto uma primeira parte com 10 minutos de descontos. Por quebras de tempo, por assistências a cada jogador que caía no relvado”
. O treinador do Sporting também comentou as queixas sobre Hjulmand: “Foi dos melhores jogos que o vi fazer no Sporting. É um grande líder, capitão... alguém perguntou ao treinador do FC Porto a razão para ter tirado o Alberto ao intervalo?”
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No que toca ao jogo em si, Rúben Amorim considerou que o Sporting foi superior, mas alertou para a dificuldade do jogo da segunda mão. “Sabemos que vamos ter outros 90 minutos intensos, um jogo à imagem do que tem sido estes Clássicos. Muito duelos, competitivo, mas uma primeira parte em que não houve ritmo de jogo, muitas faltas e uma tentativa do FC Porto em não deixar o Sporting entrar no seu jogo”
, afirmou. Apesar da vantagem, o treinador mostrou-se cauteloso: “Garantias não dá nenhuma. Pode dar, isso sim, confiança pelo caminho temos feito. Foi o quarto jogo sem sofrer golos, perdi a conta aos jogos consecutivos a marcar. É sinal da nossa ambição e qualidade ofensiva. Mas há jogos que exigem mais de nós, são mais intensos e vividos forma diferente como foi este. Agora, virá um jogo difícil, em Braga, e há que manter a equipa no seu máximo de energia porque irá exigir muito de nós”
, concluiu Rúben Amorim, preparando já o próximo desafio.