Paulo Jorge dos Santos Futre comemorou o 60.º aniversário no sábado, 28 de fevereiro. Um número redondo que convida a puxar pela memória para recordar o trajeto de um dos melhores jogadores portugueses de sempre, capaz de se sentar à mesa dos maiores da sua geração à escala planetária.
Com velocidade estonteante, drible em progressão e um estilo quase insolente, Futre deixava adversários perdidos e de rins em mau estado. Hoje, muitos se perguntam quantas temporadas teria jogado mais se tivesse beneficiado da proteção que os árbitros oferecem atualmente aos grandes talentos.
Início de Carreira e Conquistas
A carreira de Futre começou oficialmente pelo Sporting, a 27 de agosto de 1983, pelas mãos de Jozef Venglos. Após a sua saída do clube leonino, aos 17 anos, ele já era internacional na principal Seleção Nacional. Seguiu para o FC Porto, onde se sagrou bicampeão nacional e vencedor da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Nesse duelo histórico no Prater com o Bayern, por pouco não marcou um golo sublime, reconhecendo mais tarde que a jogada era de craque, mas a finalização de um jogador dos distritais. A Bola de Ouro que lhe devia pertencer, em 1987, acabou nas mãos de Rudd Gullit, deixando a lembrança de que o segundo lugar é mesmo o primeiro dos últimos.
Em busca de novas aventuras, ajudou Jesús Gil y Gil a sentar-se na cadeira de sonho do Atlético de Madrid, criando uma relação de amor e ódio que marcou uma era no futebol espanhol. Futre eternizou-se na memória dos fãs com a conquista da Taça do Rei em 1992, num confronto emocionante contra o Real Madrid, onde foi autor do segundo golo no 2-1 final, além de um famoso túnel a Chendo na linha de fundo.
Retorno a Portugal
Após essa experiência, realizou o regresso a Portugal para representar o Benfica, clube que também tinha interesse nele sob a presidência de Sousa Cintra. No imaginário dos adeptos que viveram os anos 90, é impossível não evocar com um sorriso a sua aparição no relvado da Luz, antes de um Benfica-FC Porto para a Taça de Portugal, gritando ao lado do presidente encarnado, Jorge de Brito, “é ganhar c..., é ganhar c...”.
Agora, aos 60 anos, Paulo Futre continua a ser uma figura relevante no mundo do futebol, mantendo-se autêntico e carismático. Mesmo após o derradeiro aplauso dentro de campo, ele soube reinventar-se com inteligência e sentido de humor, resistindo à tentação do calculismo que muitas vezes predomina na comunicação futebolística. Ele continua a rir-se de si mesmo, aceitando os excessos do passado, e persiste em encarar o desporto-rei com uma paixão contagiante. Esta autenticidade faz dele uma figura admirada por adeptos de diferentes clubes, fato raro num país onde as rivalidades costumam ofuscar o reconhecimento do mérito individual.
Prova disso é que, aos 60 anos, Paulo Futre demonstra que os verdadeiros artistas jamais saem de cena — apenas mudam de palco.