Rui Borges e Hugo Oliveira analisam vitória do Sporting sobre o Famalicão

  1. Sporting venceu Famalicão por 1-0.
  2. Golo de Daniel Bragança.
  3. Rui Borges elogia formação.
  4. Hugo Oliveira critica VAR.

Após a vitória do Sporting sobre o Famalicão por 1-0, Rui Borges, técnico leonino, e Hugo Oliveira, treinador do Famalicão, partilharam as suas perspetivas sobre o jogo. Rui Borges destacou a persistência da sua equipa e o desempenho de Daniel Bragança, enquanto Hugo Oliveira expressou desilusão com o resultado, sentindo que os famalicenses fizeram o suficiente para evitar a derrota.

Rui Borges começou por analisar o desempenho da sua equipa e do adversário: “Jogámos contra uma boa equipa, bem organizada e muito competitiva. Não nos dava muito espaço para pensar, sobretudo na primeira parte. Ao longo dos 90 minutos, têm dois lances de perigo; no segundo tempo, nem sequer chegou à nossa baliza. Andámos sempre perto da área, faltou-nos alguma capacidade para finalizar da melhor forma em alguns momentos. Mérito do adversário que soube defender a sua baliza, ser competente, o que valoriza ainda mais o nosso trabalho e a nossa vitória.” O técnico do Sporting também abordou a ausência de um avançado de referência: “É explícito que nos faltou uma referência; é diferente um jogo sem referências. Se calhar, é culpa do mister que não jogou com referências, quis esperar para colocar o miúdo mais na segunda parte. Em alguns momentos, foi claro que nos faltou uma referência na área, faz parte.”

Daniel Bragança foi um dos destaques do encontro, marcando o golo da vitória e o seu primeiro de cabeça na carreira. Rui Borges elogiou o médio: “O Nel, fico feliz, é mais um miúdo da nossa formação, que tem trabalhado para ter esta oportunidade. Vai continuar a ter oportunidades, é a excelência do trabalho na academia, principalmente da equipa B. A qualquer momento podem ter uma oportunidade e isso é mostrado. A qualidade do Daniel Bragança é fantástica, todos a reconhecem. Fez golo de bola parada; acho que este foi um jogo que tivemos muitos cantos. Não é um jogador de golos de cabeça, é certo, mas acredita muito. Tem ADN Sporting e uma energia muito própria, batemos muitos cantos. Poderíamos ter feito mais golos noutras bolas paradas.” O treinador concluiu com uma nota sobre as suas ambições: “Felicidade de continuar a trabalhar, continuar a lutar por algo no Sporting. Queremos muito ser campeões e o meu único objetivo é esse, não me interessam os recordes individuais enquanto treinador, fico muito feliz por estar no Sporting, com um grupo fantástico.”

Do lado do Famalicão, Hugo Oliveira lamentou a derrota: “Saio daqui com a sensação de que não deveríamos ter perdido este jogo. Pelo trabalho, pelo esforço, pela capacidade tática – em muitos momentos – de fechar um belíssimo adversário, por termos levado o jogo a um determinado momento em que o teríamos de segurar, em casa de um candidato ao título, com um golo de bola parada. A primeira parte foi mais personalizada do que a segunda com bola. Na segunda parte, o Sporting construiu mais, andou à volta da nossa área, encolhemos na capacidade de sair. Mas, na primeira parte, fizemos um golo e estivemos perto de fazer outros. As principais oportunidades foram nossas.”

O técnico famalicense reiterou a sua insatisfação: “Na segunda parte, é verdade que o Sporting teve mais caudal, mas controlámos as situações. Repito: não devíamos ter perdido este jogo. Não podemos perder estes jogos, principalmente numa situação de bola parada, perante um grande adversário, com grandes ferramentas, com um jogo muito associativo, que cria muitos problemas, com ligações, tabelas, jogadores tecnicamente muito fortes… mas é um amargo de boca, porque fizemos o suficiente. O jogo teve esta história, mas poderia ter tido uma história diferente.” Hugo Oliveira também criticou a intervenção do VAR na anulação de um golo: “Já vi as imagens e não me parece falta. O futebol chegou à era do quinto árbitro, que decide mais o jogo do que os intervenientes dentro das quatro linhas, que correm, que se esforçam, que tomam decisões, boas ou más, mas estão lá, próximos, sentem os jogadores. O árbitro está dentro do campo, os assistentes estão próximos, o quarto árbitro também. Eles têm a sua visão e tomam as suas decisões. Há situações, claro, em que o VAR é fundamental e tem de intervir, em situações capitais do jogo. Mas há situações que eu ou qualquer um em casa, a parar uma imagem, conseguimos mostrar seja o que for. Não é o suficiente para retirar um golo do jogo. Não sei se seria assim se fosse do outro lado. O árbitro tomou uma decisão dentro do campo e, quando não é algo tão radical, os intervenientes fora do campo não deveriam ter tanto poder.”

Por fim, o treinador do Famalicão refletiu sobre o próximo passo da sua equipa: “É um passo que temos de dar enquanto equipa. Queremos jogar, discutir o resultado e chegar à baliza adversária. O Sporting, com o decorrer do jogo, começou a recuperar bolas mais cedo e, aí, prendemo-nos um bocadinho. Temos de dar o passo à frente. Mesmo perante uma grande equipa, num estádio difícil, o campeão nacional, com as bancadas a puxar, temos de manter a personalidade e encontrar outros caminhos, mantendo a tranquilidade. Mas o trabalho defensivo foi competente. Obviamente que o Sporting teve um caudal mais ofensivo e criou situações, associando-se muito por dentro, mas íamos fechando. Não podíamos sofrer de bola parada e perder por esse momento. Os jogos e as histórias constroem-se e este jogo poderia ter tido uma história diferente.”