André Ventura encerrou a sua campanha presidencial em Lisboa, com um discurso focado em reivindicar a liderança da direita em Portugal e projetar o futuro eleitoral do Chega. Apesar de ter perdido a corrida a Belém para António José Seguro, Ventura procurou capitalizar a sua performance, comparando a percentagem de votos do seu partido com a da AD nas últimas eleições legislativas.
“Ultrapassámos com 33,2% os 31% da AD nas últimas eleições. Acho que a mensagem dos portugueses é clara. Lideramos a direita em Portugal. Lideramos o espaço da direita em Portugal e vamos em breve governar este país”, proclamou Ventura, sendo a sua afirmação recebida com euforia pelos apoiantes presentes na sede de campanha. No entanto, a análise matemática de Ventura omitiu a comparação do número absoluto de votos, onde a AD obteve cerca de 240 mil votos a mais que o Chega nas legislativas.
Ventura procurou também associar o Chega ao legado de Francisco Sá Carneiro, sugerindo que o partido é o verdadeiro herdeiro do “reformismo popular de direita”. Numa tentativa de apelo ao eleitorado social-democrata, afirmou: “O sonho hoje continua a ser o mesmo sonho de Francisco Sá Carneiro: conseguir uma maioria que, em nome do povo e não das elites, faça a mudança.” Reconheceu a vitória de António José Seguro, felicitando-o e revelando ter falado com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, uma menção que gerou apupos na sala, interpretados por Ventura como um sinal do sistema contra o Chega. “Terminámos esta campanha a lutar contra todo o sistema político português. Acho que é justo dizer que liderámos de forma clara, (...) conseguimos mobilizar uma parte do país contra um sistema de 50 anos de bipartidarismo - que se verificou nesta segunda volta ainda mais intenso e feroz.”
Apesar de reconhecer a derrota eleitoral, Ventura classificou o resultado como um movimento imparável e um sinal de que os portugueses “colocaram-nos no caminho para governar este país”. Abordou ainda a diáspora, vendo-a como um bastião do seu projeto político e um farol contra o socialismo e as políticas do PS e PSD. Contudo, o discurso evitou menções diretas às vítimas mortais e aos afetados pela tempestade que levou ao adiamento de votos em algumas freguesias.