Liga Portuguesa chumba verbas da UEFA para clubes da Liga 2

  1. Liga 2 chumbou proposta da UEFA
  2. 12 votos favoráveis, 6 contra
  3. Requerido 75% dos votos (14 votos)
  4. FC Porto, Braga, Benfica, Sporting votaram a favor

A Assembleia Geral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) rejeitou a proposta de distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA aos clubes do segundo escalão. Esta decisão, ocorrida na passada sexta-feira na sede da Liga, no Porto, deixou os clubes da Liga 2 profundamente indignados e com sérias preocupações financeiras.

A proposta, que visava incluir os clubes da Liga 2 na partilha das verbas do mecanismo de solidariedade, obteve apenas 12 votos favoráveis e seis contra numa votação secreta. Eram necessários 14 votos, correspondendo a 75% dos votos, para que a medida fosse aprovada. Esta deliberação abrupta surge a meio da época, retirando uma verba que já se encontrava orçamentada pelos clubes da Segunda Liga, criando um inesperado e grave desequilíbrio financeiro nas suas contas.

Indignação e Desequilíbrio Orçamental na Liga 2

Os emblemas da Liga 2 reagiram prontamente com um comunicado conjunto, expressando a sua consternação perante o chumbo. Sublinharam que a retirada desta verba, já inscrita nos seus orçamentos com base na confiança de que a decisão da época anterior seria válida por três temporadas, compromete gravemente a sua estabilidade financeira. A distribuição destas verbas aos clubes do segundo escalão é uma prática que já se verifica há mais de uma década, tornando a atual decisão ainda mais impactante.

Esta situação levanta sérias questões sobre a previsibilidade e a confiança nas decisões da Liga, afectando a capacidade de planeamento dos clubes e colocando em risco a sustentabilidade das suas operações.

Incoerência e Falta de Visão Sistémica: O Voto da Primeira Liga

Uma das críticas mais veementes apontadas pelos clubes da Liga 2 é a incoerência na votação de alguns clubes da Primeira Liga. Estes manifestam total incompreensão face à inversão de voto por parte de alguns que, na época transata, votaram favoravelmente a partilha deste mecanismo. O comunicado realça que todos os clubes que votaram contra esta medida já militaram, no passado recente, na Segunda Liga, tendo beneficiado da solidariedade que agora negam aos atuais intervenientes.

Esta postura é vista como uma preocupação meramente conjuntural e desprovida de visão sistémica, fragilizando a união que deveria existir no futebol português. A falta de solidariedade por parte de alguns clubes da Primeira Liga demonstra uma visão de curto prazo, negligenciando o impacto a longo prazo na pirâmide do futebol nacional.

O Impacto nas Academias e Futebol de Formação

Os clubes da Liga 2 enfatizam que a não atribuição destas verbas coloca em risco direto as academias e os escalões de formação. Muitos destes são geridos pelos próprios clubes, e não pelas SADs, dependendo criticamente destes fundos para a sua sobrevivência e desenvolvimento. Numa fase em que o futebol português se prepara para debater temas estruturais, como a centralização dos direitos televisivos e a revisão dos quadros competitivos, esta votação tem o poder de dividir a Liga, em vez de unir os seus membros em direção a um objetivo comum.

A decisão de reter estas verbas compromete o futuro do futebol português, ao minar a base de onde emergem os talentos que alimentam as equipas de elite. A formação de jovens jogadores é um pilar fundamental para a sustentabilidade e competitividade do desporto nacional, e esta medida ameaça seriamente essa estrutura.

Calamidade e Desprestígio da Indústria do Futebol

O comunicado também faz referência a uma situação particularmente desafiante, salientando que numa altura em que uma parte do país foi assolada por uma calamidade sem precedentes, com consequências severas para a população e várias coletividades, incluindo clubes da Liga Portugal 2, esta decisão torna-se ainda mais grave. É dado como exemplo a União de Leiria, que ficou sem infraestruturas. Os clubes da Liga 2 defendem que esta decisão afeta negativamente a pirâmide do futebol nacional, principalmente a sua base, não prestigiando a indústria que deveria ser um exemplo de solidariedade.

Em momentos de crise e adversidade, a solidariedade é crucial. A decisão da Assembleia Geral da LPFP, ao invés de demonstrar união e apoio, agrava a situação de clubes já fragilizados, enviando uma mensagem negativa sobre a cultura de solidariedade no futebol português.

Ações de Solidariedade e Apelo para o Futuro

Apesar da decisão desfavorável, os clubes da Liga 2 fizeram questão de reconhecer a postura exemplar e solidária dos 12 clubes da Primeira Liga que votaram a favor. Entre estes, estão incluídos os clubes que disputaram a fase de grupos das competições europeias: FC Porto, SC Braga, SL Benfica e Sporting CP, que de forma altruísta defenderam a partilha de verbas. Um agradecimento especial foi dirigido ao Vitória SC e ao CF Estrela da Amadora, que num gesto de nobreza e responsabilidade para com o ecossistema do futebol, se disponibilizaram a ceder a sua parte das verbas em prol dos clubes do escalão secundário.

O comunicado conclui com um apelo aos restantes clubes que votaram favoravelmente, para que sigam o exemplo de solidariedade do Vitória SC e do Estrela da Amadora, minimizando os danos causados por uma decisão considerada injusta e prejudicial ao futuro do futebol nacional. Os clubes da Liga Portugal 2 terminam reafirmando o seu compromisso “Pela sustentabilidade e dignidade do futebol português.”