As três citações reproduzidas nas fontes — “Gosto muito do Lewandowski, mas gosto sobretudo do Tiago Tomás que fez toda a formação no Sporting”; “Gostava de chegar à equipa principal e poder jogar no Estádio José Alvalade”; “um fraquinho” — orientam este texto sobre a nova vaga de talentos da formação portuguesa, ligando ambição pessoal, referências e impacto nas competições europeias de sub-23 e sub-19.
O fio condutor são duas figuras distintas: Miguel Almeida, avançado de 19 anos do Sporting, e Gonçalo Moreira, médio-ofensivo de 20 anos do Benfica. As palavras que lhes são atribuídas — sempre identificadas com o autor — revelam tanto a vontade de afirmação interna como o reconhecimento exterior que já começam a moldar a sua trajectória.
O cabeceamento que deu glória
Miguel Almeida decidiu nos 90+4 minutos da eliminatória da UEFA Youth League frente à Puskás Akadémia com um cabeceamento indefensável que deu o apuramento nos 1/16 avos de final. O lance devolveu o êxtase a colegas e equipa técnica e confirmou, de forma dramática, a apetência do jogador por momentos de decisão.
Na abordagem ao jogo surgem pormenores que dizem muito da preparação: João Gião apareceu visivelmente emocionado na bancada técnica, depois de uma substituição curiosa — o guardião Alexandre Tverdohlebov entrou para o lugar de Miguel Gouveia já com a ideia de preparar a marcação de penáltis. Esses detalhes sublinham a prontidão colectiva e a capacidade de adaptação da equipa.
Formação e ambição de Miguel Almeida
Miguel Almeida, que iniciou a sua prática no futsal do Infantado antes de passar pelo Sacavenense e ingressar no Sporting em 2017, tem vindo a corresponder em termos estatísticos: 16 golos em 19 jogos pelos sub-19 na época 2025/26, com algumas utilizações nos sub-23. É um avançado que combina movimentação, jogo aéreo e sentido posicional.
As palavras do próprio sintetizam a sua orientação profissional e afectiva: “Gosto muito do Lewandowski, mas gosto sobretudo do Tiago Tomás que fez toda a formação no Sporting”, disse Miguel Almeida, referindo não só uma referência técnica como também a admiração por um produto do próprio clube. E sobre ambição clara afirmou: “Gostava de chegar à equipa principal e poder jogar no Estádio José Alvalade”, declarando um objectivo traçado desde cedo.
O percurso e a veia goleadora de Gonçalo Moreira
Do lado do Benfica, Gonçalo Moreira elevou a sua campanha na Youth League com uma exibição decisiva frente ao Slavia Praga (3-2): um golo e duas assistências que o catapultaram para a liderança entre os melhores marcadores da prova. O registo actual situa-o com 12 golos na competição em 16 jogos, uma marca que o coloca como referência ofensiva nas últimas temporadas.
Moreira, internacional sub-20, também já começa a afirmar-se no plano sénior: foi incluído na ficha de jogo do Benfica frente ao Gil Vicente a 26 de setembro de 2025, e José Mourinho confessou publicamente algum apreço pelo jogador, dizendo “um fraquinho” em referência ao talento do jovem médio. No conjunto da temporada soma 11 golos em 22 jogos oficiais pelo clube.
O que as citações nos dizem
As três frases reproduzidas nas referências fazem mais do que enfeitar cronologias: funcionam como pontos de leitura sobre a formação portuguesa. A declaração de Miguel Almeida sobre Tiago Tomás e Lewandowski alude a modelos técnicos e a uma identidade formativa, enquanto o desejo explícito de jogar em Alvalade traduz objectivos claros e imediatos.
Por seu lado, a apreciação de José Mourinho — “um fraquinho”, referindo-se a Gonçalo Moreira — é simbólica do trânsito que estes talentos começam a ter entre a formação e o futebol profissional. Entre um cabeceamento aos 90+4 e temporadas de números avassaladores, Miguel Almeida e Gonçalo Moreira representam, cada um à sua maneira, a vitalidade e a promessa da próxima geração do futebol português.