Roberto Martínez alerta para baixa participação de jovens na I Liga

  1. 3,8% dos minutos para sub-21
  2. Roberto Martínez critica situação
  3. Óscar Tojo fala sobre o Mundial2030
  4. 70% dos jogadores na I Liga são estrangeiros

Roberto Martínez, selecionador da seleção nacional de futebol de Portugal, fez recentemente uma análise contundente sobre a participação dos jovens atletas na I Liga. No Congresso do Futebol Português, afirmou: ““Eu acho que Portugal é dos países europeus que melhor trabalho está a fazer na formação, mas temos um desafio, porque no futebol profissional, na I Liga, é que temos uma percentagem muito baixa de jogadores nacionais sub-21 a jogar””.

O técnico destacou que apenas 3,8% dos minutos na Liga Portugal Betclic são desfrutados por jogadores com menos de 21 anos, um valor que considera alarmante. Em sua avaliação, isso coloca Portugal ““na cauda da Europa””, apontando a necessidade urgente de ações que promovam a utilização de jogadores jovens nas competições profissionais.

Análise da Participação Jovem

Continuando com suas observações, Martínez declarou: ““Estamos a criar e a desenvolver talento muito bem, mas os primeiros 50 jogos dos jogadores fazem parte dessa formação e precisamos de olhar para isso””. Ele elogiou o trabalho realizado pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e pelos clubes, mas enfatizou a necessidade de oferecer mais oportunidades aos jovens. ““Em comparação com outras ligas, têm 3,8% dos minutos, metade da Liga francesa, e a quarta a contar de baixo em comparação com as restantes europeias””, explicou.

Apesar da crítica, Martínez também reconheceu o sucesso recente das equipas portuguesas nas competições europeias: ““Parabéns aos nossos clubes, porque os desempenhos foram excecionais, foi uma semana espetacular que mostra o trabalho feito pelos clubes durante toda a época””. No entanto, reiterou a importância de continuar a investir e a dar minutos a jogadores mais novos, considerando isso fundamental para os consolidar como futuros talentos da seleção.

A Oportunidade do Mundial 2030

Óscar Tojo, Diretor Técnico Nacional da FPF, também se pronunciou sobre a situação. Ele apontou o Mundial 2030, a ser co-organizado com Espanha e Marrocos, como uma “oportunidade única” para corrigir a falta de espaço para jovens jogadores nas competições profissionais. Tojo sublinhou: ““Portugal está apurado, sem qualificações, e isso permite-nos ter um período temporal para a criação de um conjunto de medidas, com o envolvimento de todos, desde a base até às competições profissionais, para que possamos dar espaço àquilo que é o talento português””.

Além disso, Tojo apresentou dados que indicam que 70% dos jogadores na I Liga são estrangeiros, um dos valores mais elevados da Europa. ““... defender a criação de um conjunto de medidas de apoio para que o talento português tenha espaço nas competições profissionais””, acrescentou. A falta de representação dos clubes na organização de tais medidas foi mencionada, mas Tojo tratou de minimizar a questão, dizendo que: ““Os clubes tiveram a oportunidade de participar nas comissões, praticamente tiveram de participar em todas elas de forma faseada””.

Estreias de Talentos Jovens

Num clima mais positivo, Tojo mencionou as recentes estreias de jovens talentos como Daniel Banjaqui e Anísio Cabral, destacando que: ““...acho que foi um momento de grande felicidade para todos nós, em particular para a equipa técnica e toda a estrutura dos sub-17, pelo sucesso de dois miúdos, que, há uns meses foram campeões do mundo, liderados pelo ‘mister’ Bino””. Ele afirmou que a abordagem deve ser a de criar espaço para esses jovens nos plantéis principais, em vez de fazer proibições.

Tojo finalizou a sua intervenção afirmando: ““É mais no sentido de olhar mais para a positividade e não o proibir””, concluindo que a inclusão de jovens jogadores é essencial para o futuro do futebol português.

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