Tiago Fernandes, treinador do Portimonense, teve uma época de grandes aprendizagens e provações. Após o apito final do jogo Portimonense-Farense, que selou a permanência da equipa algarvia na II Liga, Tiago Fernandes fez questão de dedicar a vitória e, consequentemente, a salvação da equipa ao seu pai, Manuel Fernandes, que faleceu em junho de 2024. As declarações emocionadas à Sport TV revelaram a profundidade da sua experiência, servindo de lição de vida e motivação para os seus jogadores. O técnico, que teve de lidar com um dos momentos mais marcantes da sua vida pessoal, transportou essa experiência para a forma como liderou a equipa.
Em conversa com a Sport TV, Tiago Fernandes partilhou um momento íntimo e doloroso que se tornou um pilar para a sua abordagem na reta final da época. “Esta época tive a maior lição da minha vida como treinador. Este foi o ano em que aprendi mais como treinador e em que mais evoluí e que me fez sair da zona de conforto todas as semanas. Foi uma tarefa muito difícil, mas nunca atirei a toalha ao chão e acreditei sempre nestes jogadores. Uma vez disse-lhes numa palestra que a maior lição da minha vida foi quando o meu pai morreu: ele morreu de mão dada comigo. São momentos que jamais vou esquecer e que ficam gravados. Ele apertou-me a mão duas ou três vezes com uma força enorme para quem estava em coma. Eu estava com a minha irmã e vimos que ele depois deixou de apertar. Chamámos a enfermeira para ver o que se estava a passar e ela disse que já não havia nada a fazer. Quando isto acontece, caímos numa realidade de vida muito dura. É uma grande lição porque ali eu senti que não havia mesmo mais nada a fazer”, recordou o técnico, com a voz embargada pela emoção. Esta experiência pessoal, trágica e marcante, serviu de parábola para a luta do Portimonense pela sua sobrevivência na II Liga.
A mensagem foi clara para o balneário: lutar até ao último segundo, até à última gota de esperança. Tiago Fernandes usou a memória do seu pai para incutir nos seus jogadores a resiliência e a determinação de nunca desistir. “Eu disse aos jogadores que enquanto não nos dissessem que já não havia nada a fazer, por mim e por todos, íamos lutar até ao fim. Foi uma vitória épica. Nos últimos oito jogos fomos a melhor equipa a par do Leixões. Fomos uns autênticos guerreiros. Foi até à última gota de suor, de sangue”, acrescentou. A emoção de Tiago Fernandes era evidente, e a sua voz embargada e olhos marejados testemunharam a importância desta dedicação. A ausência de Manuel Fernandes foi sentida, mas a sua memória foi a força motriz. “Só tenho pena de não ter aqui o meu pai hoje para festejar, porque sei que ele iria estar muito feliz. Ele é o maior exemplo que tenho. A minha mãe fez-me gostar muito do meu pai e tocou-nos desta forma eu olhar para o meu pai como um ídolo, como uma pessoa muito importante para nós. Quando ele estava em casa, não podia haver barulho. Tínhamos de viver para ele ser feliz na profissão porque ele era muito bom no que fazia. Ele hoje deve estar muito feliz, de certeza. Só foi pena o Sporting não ser campeão para ser uma época perfeita na primeira e segunda liga para todos nós.”