Técnicos portugueses avaliam época e projetam futuro

  1. Vasco Botelho da Costa do Moreirense fez avaliação positiva
  2. Vasco Seabra, técnico do Arouca satisfeito com crescimento
  3. João Henriques, treinador do AVS com "sabor agridoce"
  4. Gonçalo Nogueira do Vitória lamentou derrota e pediu desculpa

Com o encerramento do campeonato, os técnicos portugueses fazem um balanço das suas épocas, abordando os desafios superados, os sucessos alcançados e as expectativas para o futuro. Vasco Botelho da Costa, Vasco Seabra, João Henriques e Gonçalo Nogueira partilharam as suas análises, revelando diferentes perspetivas sobre o desempenho das suas equipas e os objetivos subsequentes.

Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense, fez uma avaliação positiva da temporada, destacando a estabilidade do clube. “Hoje fomos muito mais sérios do que a semana passada, mas não tão intensos como gostaria, principalmente com bola. Cometemos um ou outro disparate que deu oportunidades ao AVS, por isso acho que o resultado é justo”, começou por analisar o técnico sobre o último jogo, rematando sobre a época: “Tem de ser considerada uma época positiva. Num campeonato tão competitivo, conseguimos não ouvir a palavra manutenção e isso é muito bom. Este é um projeto com o qual me identifico bastante porque todos sabemos o nosso papel e esse foi a chave do sucesso. Estou mal-habituado, mas sou um insatisfeito por natureza. Uma das nossas missões é valorizar os jogadores, porque o Moreirense é um clube vendedor e é normal individualizar um ou outro atleta, mas naquele balneário há muitos jogadores que merecem destaque.” Questionado sobre a ambição futura do Moreirense, o treinador foi cauteloso: “É complicado clubes como o Moreirense olharem para objetivos que não a manutenção, por muitos passos que se dê em frente e temos o exemplo do Santa Clara. Temos de olhar para o campeonato de uma forma realista. O objetivo do Moreirense tem como objetivo começar a olhar para outros voos, mas há muita coisa por trás que está a ser trabalhada e leva tempo. Demos passos importantes e sinto que numa transição de uma época para a outra, temos uma boa base. Agora é descansar, passar tempo com os nossos, e vir com muita vontade de fazer melhor, mas vir com a consciência de que vai ser uma época difícil.”

Vasco Seabra, técnico do Arouca, mostrou-se satisfeito com o crescimento da sua equipa. “Sinto que é merecido o que os jogadores fizeram e a forma como se mantiveram resilientes e focados nos objetivos. Esse mérito culminou no 8.º lugar e representa também o crescimento sustentado e a energia deste grupo. Acabámos com uma identidade muito própria”, afirmou Seabra, que já avista a próxima temporada e a valorização de ativos. E prosseguiu: “Vamos continuar a querer ser uma equipa proativa e valorizar os nossos jogadores. Havemos de falar deles depois das férias, podemos aproveitar um bocadinho de sol. Em termos de terceira época, é um momento que é importante para mim”, sublinhou, prevendo um mercado de transferências intenso: “Temos jogadores com muitos números e participações, estamos com um crescimento brutal, temos muitos jovens ativos e com valor bastante alto de mercado. Naturalmente, o Joel [Pinho] e o presidente [Carlos Pinho] vão ter uma batalha dura para os segurar. Os 28 pontos conquistados na segunda volta mostram bem a capacidade que os jogadores têm.”

João Henriques, treinador do AVS, expressou um sabor agridoce com o empate recente, apesar da excelente recuperação da equipa. Questionado sobre o jogo, Henriques referiu: “Foi um domínio consentido da nossa parte para poder explorar as costas do Moreirense. Sabíamos que o Moreirense envolve muita gente na frente, mas quando perde a bola estava desequilibrado. O Moreirense teve mais bola, mas nós tivemos as melhores oportunidades. Ficamos com um sabor agridoce neste encontro. Olhamos para a época e vemos que o AVS faz hoje o sexto jogo consecutivo a pontuar, ficamos satisfeitos. Há jogadores que saem valorizados e com os pontos conquistados nesta última fase do campeonato, podíamos ter alcançado a manutenção facilmente.” Sobre a satisfação com o resultado final, acrescentou: “As dinâmicas das derrotas e vitórias têm muita força. Cheguei ao AVS com apenas três pontos, fruto de três empates e nenhuma vitória, era muito difícil, mas foi um crescimento bom, um valorizar de ativos e ainda haver a especulação de jogadores associados a grandes clubes e para nós é gratificante. Criámos uma equipa, potenciamos jogadores, e isso é um dos trabalhos das equipas técnicas. Nesta fase final, todos saíram valorizados, ao contrário do que diz a tabela classificativa. Este desafio faz com que eu saia mais treinador. Estou tremendamente orgulhoso porque treinei com homens de carácter porque conseguiram reerguer-se e construir uma equipa. Todos somos uns privilegiados em estar na I Liga e por isso vínhamos para os treinos com muita alegria e entusiasmo. Estou muito feliz por voltar a treinar na I Liga e já levo quase 150 jogos. Estamos associados a uma descida de divisão, mas acabamos por valorizar.” Em relação à sua continuidade no clube, Henriques foi evasivo: “Terminou agora o campeonato, vamos fazer um balanço e vamos ver o que é melhor para todas as partes porque não tenho dúvidas de que o AVS vai ser um forte candidato à subida de divisão.”

Por fim, Gonçalo Nogueira, do Vitória, lamentou a derrota e pediu desculpa aos adeptos. “Acho que fizemos um bom jogo, faltando um golo. E o futebol é feito de golos. Percebo a indignação dos adeptos e, em nome do Vitória, quero pedir desculpa. E quero também agradecer pelo apoio que nos deram sempre”, assegurou o vimaranense.

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