Com o encerramento do campeonato, os técnicos portugueses fazem um balanço das suas épocas, abordando os desafios superados, os sucessos alcançados e as expectativas para o futuro. Vasco Botelho da Costa, Vasco Seabra, João Henriques e Gonçalo Nogueira partilharam as suas análises, revelando diferentes perspetivas sobre o desempenho das suas equipas e os objetivos subsequentes.
Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense, fez uma avaliação positiva da temporada, destacando a estabilidade do clube. “Hoje fomos muito mais sérios do que a semana passada, mas não tão intensos como gostaria, principalmente com bola. Cometemos um ou outro disparate que deu oportunidades ao AVS, por isso acho que o resultado é justo”
, começou por analisar o técnico sobre o último jogo, rematando sobre a época: “Tem de ser considerada uma época positiva. Num campeonato tão competitivo, conseguimos não ouvir a palavra manutenção e isso é muito bom. Este é um projeto com o qual me identifico bastante porque todos sabemos o nosso papel e esse foi a chave do sucesso. Estou mal-habituado, mas sou um insatisfeito por natureza. Uma das nossas missões é valorizar os jogadores, porque o Moreirense é um clube vendedor e é normal individualizar um ou outro atleta, mas naquele balneário há muitos jogadores que merecem destaque.”
Questionado sobre a ambição futura do Moreirense, o treinador foi cauteloso: “É complicado clubes como o Moreirense olharem para objetivos que não a manutenção, por muitos passos que se dê em frente e temos o exemplo do Santa Clara. Temos de olhar para o campeonato de uma forma realista. O objetivo do Moreirense tem como objetivo começar a olhar para outros voos, mas há muita coisa por trás que está a ser trabalhada e leva tempo. Demos passos importantes e sinto que numa transição de uma época para a outra, temos uma boa base. Agora é descansar, passar tempo com os nossos, e vir com muita vontade de fazer melhor, mas vir com a consciência de que vai ser uma época difícil.”
Vasco Seabra, técnico do Arouca, mostrou-se satisfeito com o crescimento da sua equipa. “Sinto que é merecido o que os jogadores fizeram e a forma como se mantiveram resilientes e focados nos objetivos. Esse mérito culminou no 8.º lugar e representa também o crescimento sustentado e a energia deste grupo. Acabámos com uma identidade muito própria”
, afirmou Seabra, que já avista a próxima temporada e a valorização de ativos. E prosseguiu: “Vamos continuar a querer ser uma equipa proativa e valorizar os nossos jogadores. Havemos de falar deles depois das férias, podemos aproveitar um bocadinho de sol. Em termos de terceira época, é um momento que é importante para mim”
, sublinhou, prevendo um mercado de transferências intenso: “Temos jogadores com muitos números e participações, estamos com um crescimento brutal, temos muitos jovens ativos e com valor bastante alto de mercado. Naturalmente, o Joel [Pinho] e o presidente [Carlos Pinho] vão ter uma batalha dura para os segurar. Os 28 pontos conquistados na segunda volta mostram bem a capacidade que os jogadores têm.”
João Henriques, treinador do AVS, expressou um sabor agridoce
com o empate recente, apesar da excelente recuperação da equipa. Questionado sobre o jogo, Henriques referiu: “Foi um domínio consentido da nossa parte para poder explorar as costas do Moreirense. Sabíamos que o Moreirense envolve muita gente na frente, mas quando perde a bola estava desequilibrado. O Moreirense teve mais bola, mas nós tivemos as melhores oportunidades. Ficamos com um sabor agridoce neste encontro. Olhamos para a época e vemos que o AVS faz hoje o sexto jogo consecutivo a pontuar, ficamos satisfeitos. Há jogadores que saem valorizados e com os pontos conquistados nesta última fase do campeonato, podíamos ter alcançado a manutenção facilmente.”
Sobre a satisfação com o resultado final, acrescentou: “As dinâmicas das derrotas e vitórias têm muita força. Cheguei ao AVS com apenas três pontos, fruto de três empates e nenhuma vitória, era muito difícil, mas foi um crescimento bom, um valorizar de ativos e ainda haver a especulação de jogadores associados a grandes clubes e para nós é gratificante. Criámos uma equipa, potenciamos jogadores, e isso é um dos trabalhos das equipas técnicas. Nesta fase final, todos saíram valorizados, ao contrário do que diz a tabela classificativa. Este desafio faz com que eu saia mais treinador. Estou tremendamente orgulhoso porque treinei com homens de carácter porque conseguiram reerguer-se e construir uma equipa. Todos somos uns privilegiados em estar na I Liga e por isso vínhamos para os treinos com muita alegria e entusiasmo. Estou muito feliz por voltar a treinar na I Liga e já levo quase 150 jogos. Estamos associados a uma descida de divisão, mas acabamos por valorizar.”
Em relação à sua continuidade no clube, Henriques foi evasivo: “Terminou agora o campeonato, vamos fazer um balanço e vamos ver o que é melhor para todas as partes porque não tenho dúvidas de que o AVS vai ser um forte candidato à subida de divisão.”
Por fim, Gonçalo Nogueira, do Vitória, lamentou a derrota e pediu desculpa aos adeptos. “Acho que fizemos um bom jogo, faltando um golo. E o futebol é feito de golos. Percebo a indignação dos adeptos e, em nome do Vitória, quero pedir desculpa. E quero também agradecer pelo apoio que nos deram sempre”
, assegurou o vimaranense.