Filipe Pereira, conhecido no desporto como Filipe Linz, foi suspenso por um período de 12 meses e 15 dias e multado em 918 euros, na sequência de uma condenação do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol. A condenação deve-se a vários casos de assédio sexual e comportamentos discriminatórios contra seis atletas do Guia FC, clube da II Divisão nacional de futebol feminino. O clube de Albufeira também foi sancionado com dois jogos à porta fechada e uma multa de 2.040 euros, enquanto o presidente, Alexandre Santos, e a vice-presidente, Sandra Santos, foram suspensos por, respetivamente, um e dois meses, por desvalorizarem as acusações das jogadoras.
Perante a decisão, o Guia FC pronunciou-se, sublinhando que as acusações contêm “várias incongruências e conclusões não condizentes com a realidade dos factos”. O comunicado do clube realça que “O Guia Futebol Clube, fundado em 1982, é uma Instituição Desportiva com valores bem vincados, fundados no respeito pela dignidade humana e pela defesa intransigente dos princípios de sã convivência e respeito entre as pessoas.” Em face das penalizações, o emblema algarvio garante que irá defender o seu bom nome “até às últimas instâncias”.
As provas do processo disciplinar incluem mensagens e testemunhos de jogadoras e ex-atletas, com o acórdão a citar conversas de WhatsApp, como “Faz uma conta de Onlyfans, sempre é melhor do que ir para a rotunda. Eu subscrevia” e “hoje que ias tomar banho comigo é que não vais?”. Outros testemunhos referem que Filipe Pereira se dirigia às jogadoras como “gostosa”, fazia “toques insinuantes” e comentários sobre os seios das atletas, como “Disse que duas ou três vezes que eu tinha airbags e que não me afogava.” O treinador foi igualmente condenado por discriminar jogadoras com excesso de peso. Em sua defesa, Filipe Linz alega uma “campanha difamatória”, afirmando que “todos os comportamentos e afirmações devem ser contextualizados” e que os seus comentários se inseriam num “registo de brincadeira”, sem intenção de assédio.