Luís Pinto, técnico vimaranense, abordou o confronto iminente contra o SC Braga com a seriedade de uma decisão. Antecipando um embate efervescente, o foco está na concentração e na capacidade de os jogadores lidarem com a pressão emocional de um dérbi. O treinador sublinhou a natureza intrínseca do futebol, que ele entende deve ser vivido com paixão e emoção, mas sem descurar a racionalidade tática.
“Julgo que é uma final, temos de viver este jogo dessa forma”, afirmou o treinador. “Quando digo que um dérbi é vivido de uma forma diferente, que um dérbi é vivido pelo que se passa naquele dia, temos de vivê-lo sabendo que a nós só nos interessa o resultado, que queremos vencer, que vamos ter de passar por vários momentos dentro do jogo e respeitar isso. Quanto a estar convencido ou não, são questões que não me dizem respeito. Como treinador, também houve jogos que perdemos e não devíamos ter perdido. Mas o futebol é o que é e normalmente ganha a equipa que merece, não quero entrar por esses caminhos. Ganhámos, conquistámos o título na primeira final entre os dois clubes. Mas, felizmente para nós, é palmarés, é passado e queremos disputar os três pontos”, acrescentou o técnico. A equipa minhota terá de estar muito atenta aos detalhes e ao desenrolar do jogo.
A resposta do Braga pós-derrota na Taça da Liga é uma incógnita, mas Luís Pinto garante que tal não afeta a preparação. O jogo será disputado a 200% independentemente do resultado anterior. “Esperamos um jogo com tudo o que um dérbi deve ter. Com emoção, paixão, com duas equipas a quererem ganhar, mas com uma história própria. Não acredito que haja algo para trás, nos dérbis é focar no que se disputa no dia e, por isso, acredito que toda a gente vai estar muito focada no que pode fazer para que possa sair do dérbi com o Vitória, que seja para o nosso lado, é nisso que nos vamos focar. É saber que há contornos pessoais, que é um dérbi e que representa muito para muita gente e jogar com essa responsabilidade”, referiu Luís Pinto. A equipa deverá manter-se atenta para anular eventuais fatores extra-jogo.
O treinador vitoriano salientou ainda a importância da concentração ao longo dos 90 minutos para alcançar um desfecho positivo. “Acredito que quem tiver mais tempo os níveis de concentração, competitividade, no auge, poderá vencer o jogo e acredito que poderemos dar uma boa resposta nesse capítulo. Sentimos que a equipa está a querer fazer as coisas dessa forma e terá uma importância capital para o resultado final”, sublinhou. A capacidade de manter a intensidade e o foco será, assim, um dos pilares para o sucesso. O técnico mostrou ainda o desejo de que a sua equipa se identifique com a cidade que representa. “Na minha opinião, o futebol tem de ser emoção também, tem de ser vivido com paixão. Nós temos de conseguir utilizar a energia que recebemos de fora, ao mesmo tempo que há momentos em que nós temos de conseguir, através daquilo que fazemos, galvanizar quem está lá fora também. E nós queremos retirar isso mesmo do dérbi. Nós queremos retirar essa paixão, essa emoção que existe e tentamos, obviamente, ter isso na nossa mente. Uma das coisas que no final da época eu gostaria de dizer era que nós conseguimos ter uma forma de ser que, ao longo do ano, foi-se tornando cada vez mais vincada, com um ADN muito próprio e que as pessoas que nós representamos se revejam”, concluiu.