A recente Assembleia Geral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) no Porto resultou num “desequilíbrio financeiro grave” para os clubes da II Liga. Seis dos 18 emblemas da I Liga votaram contra a proposta de distribuição das verbas do mecanismo de solidariedade da UEFA, impedindo a sua aprovação. Esta decisão, a meio da época, retira abruptamente cerca de seis milhões de euros que seriam cedidos aos clubes da II Liga pelos clubes da I Liga que não participam em competições europeias, verba orçamentada e crucial para as finanças destas instituições.
Os clubes da II Liga manifestaram “total incompreensão” e repudiaram a “inversão de voto por parte de clubes que, na época transata, votaram favoravelmente à partilha deste mecanismo”. A preocupação com a divisão da Liga é evidente, especialmente num momento em que se discutem temas estruturais como a centralização dos direitos televisivos e a revisão dos quadros competitivos. A decisão, segundo os clubes afetados, “ataca diretamente o coração do nosso futebol, a formação”, colocando em risco academias e escalões de formação que dependem criticamente destes fundos.
Apesar do chumbo, a postura solidária de 12 clubes da I Liga foi destacada e elogiada pelos emblemas da II Liga. Em particular, o Vitória de Guimarães e o Estrela da Amadora foram publicamente agradecidos por, “num gesto de nobreza e responsabilidade para com o ecossistema do futebol”, já se terem disponibilizado a ceder a sua parte das verbas em prol dos clubes do escalão secundário. Reinaldo Teixeira, presidente da LPFP, assegurou que a distribuição das verbas do mecanismo de solidariedade da UEFA será debatida antes da próxima época, procurando resolver o impasse atual. A votação, feita por escrutínio secreto, revela a complexidade e as divergências internas no futebol profissional português relativamente à gestão e partilha de recursos financeiros.