Yann Bisseck, que jogou no Campeonato de Portugal, atuou na final da Liga dos Campeões e marcou recentemente pelo Inter de Milão, representa um caso de desperdício da década
no futebol português. A sua passagem pela equipa B do Vitória de Guimarães, onde fez menos de dez jogos, não impressionou o clube vimaranense. Moreno, treinador do Vitória B na altura, reflete sobre Bisseck: “Notava-se que era diferenciado pelos pormenores como a qualidade do passe, da receção e, claro, a velocidade estava lá, tal como se vê agora. Notava-se que tinha tido uma boa formação”.
Apesar do seu potencial, o jogador enfrentou desafios de motivação. Moreno aponta que “o problema de Bisseck não era o talento”. Ele acrescenta: “Lembro-me de que também tivemos de fazer algum trabalho com ele, ao nível da motivação, já que sentimos que estava desmotivado”. O próprio Bisseck confirmou a sua desmotivação, revelando ao 11 Freunde: “Se não tivesse o Jonas Carl e o Elias Abouchabaka [ex-companheiros no Vitória B] ao meu lado, teria terminado a minha carreira profissional no Vitória. Pensei em deixar de jogar e mudar-me com o Elias para um apartamento em Berlim e estudar na universidade”.
Apesar de ter chegado a Guimarães como um projeto para a equipa principal, Bisseck só teve maior utilização nos últimos dois meses da época na equipa B, sob o comando de Moreno. No entanto, o Vitória de Guimarães não avançou com a sua contratação devido a uma cláusula avultada. Moreno, apesar de ter apostado no jogador na quarta divisão, assume com sinceridade: “Vejo com alguma surpresa. Não é fácil sair da equipa B do Vitória e estar numa equipa que vai disputar uma final da Champions e que a pode ganhar. Se na altura me perguntassem se o valor dele era para andar em equipas B ou de menor dimensão, dizia que não. Mas se me questionassem que iria estar, passado tão pouco tempo, ao mais alto nível em Itália e na Liga dos Campeões, também diria que não. Tenho de ser sincero”.