Samu Silva decide dérbi; apagão interrompe jogo

  1. Vitória por 1-0
  2. Golo de penálti: Samu Silva
  3. Apagão 13 minutos
  4. Estádio D. Afonso Henriques

O dérbi minhoto terminou com vitória do V. Guimarães por 1-0, golo de grande penalidade assinado por Samu Silva, e ficou marcado também por um apagão na iluminação que interrompeu o jogo aos 90'+2 durante cerca de 13 minutos. As declarações dos treinadores, Luís Pinto e Vasco Botelho da Costa, ajudam a compreender a leitura táctica de ambos e as decisões que definiram o resultado.

Este texto organiza as citações recolhidas após o encontro e articula-as com o relato factual e as explicações técnicas do clube sobre a falha de iluminação, oferecendo uma leitura detalhada do que se passou em campo e fora dele.

Resumo do jogo

O V. Guimarães impôs-se no dérbi por 1-0, com o único golo a surgir de grande penalidade convertida por Samu Silva. Foi um jogo onde os detalhes decidiram: domínio territorial alternado, ocasiões repartidas e uma decisão de recorte técnico aos 90 minutos que acabou por ser determinante.

Além do resultado, o encontro ficou também condicionado por um apagão das torres de iluminação do Estádio D. Afonso Henriques que se verificou aos 90'+2 e demorou cerca de 13 minutos a ser ultrapassado, sem alteração do desfecho da partida.

Intenção táctica de Luís Pinto

Luís Pinto explicou as opções iniciais do seu onze e a intenção por detrás do desenho ofensivo: “A ideia era conseguir ter quatro homens de características muito verticais. O Nélson acabava por ser o menos vertical dos quatro, mas ter os restantes três a atacar a profundidade. A entrada do Samu veio criar uma vantagem numa zona onde não estávamos a ter capacidade de encontrar os espaços. O Samu consegui dar critério ao jogo, acalmar as ligações ofensivas e isso foi importante. Contudo, o domínio do jogo mesmo na primeira parte, apesar de não ter sido tão bem jogado como gostávamos, foi sempre nosso. A equipa acabou por estar relativamente bem no jogo, não tendo sido espetacular.”, disse Luís Pinto.

A citação sublinha a procura de profundidade e mobilidade como princípios orientadores, ao mesmo tempo que reconhece limitações na execução do primeiro tempo e a necessidade de alterações para desbloquear espaços.

Mudança ao intervalo e gestão da pressão

Sobre a gestão do jogo e a leitura colectiva após as alterações, o treinador do Vitória foi explícito: “Não mudamos nada nas intenções. Estávamos a ser eficazes, conseguimos roubar muitas vezes a bola. Quando o Moreirense começou a conseguir encontrar uma forma de tonar mais difícil a nossa pressão ficou mais complicado. Fomos melhores nisso na segunda parte e já não houve situações que conseguissem variar com perigo.”, disse Luís Pinto.

Luís Pinto liga aqui a alteração de rendimento à recuperação da eficácia defensiva e à capacidade de restabelecer uma pressão que anulou o momento de transição ofensiva do adversário, justificando a confiança na manutenção das ideias iniciais.

Entrada de Samu e impacto no jogo

A intervenção sobre jogadores que entram do banco e o papel decisivo de Samu mereceu uma referência clara do treinador: “É uma questão pertinente. O futebol está diferente, podemos fazer cinco substituições. Quando decidi, entendemos que era importante ter alguém capaz, acabou por acontecer. Tem melhorado bastante o jogo fora da área, como já tinha mostrado frente ao Estoril. Não marcou neste jogo mas foi ele que ganhou o penálti. Para a semana veremos qual é o plano.”, disse Luís Pinto.

Aqui está explicado o raciocínio técnico e a valorização do impacto de suplentes num futebol que permite cinco alterações, com Samu evidenciado como elemento que trouxe critério e desequilíbrio decisivo.

Apelo aos adeptos e foco na equipa feminina

Luís Pinto alargou o discurso para além do plantel principal, fazendo um apelo à massa adepta: “Na quarta-feira teremos um jogo especial da nossa equipa feminina. A hora não é mais interessante, mas deixo o apelo a quem puder marcar presença. A nossa equipa quer continuar a fazer história na Taça de Portugal.”, disse Luís Pinto.

O pedido do treinador vinca a noção de clube global e a importância de suporte dos adeptos em compromissos relevantes que ultrapassam o calendário masculino, sublinhando a ambição da equipa feminina no percurso na Taça de Portugal.

Leitura do encontro por Vasco Botelho da Costa

Do lado do Moreirense, Vasco Botelho da Costa fez uma análise frontal: “O Vitória foi melhor a partir do golo. No início da segunda parte não tivemos a mesma acutilância do primeiro tempo, o jogo foi mais dividido, mas o Vitória não estava perigoso. Fizemos um jogo fantástico, O Stjepanovic teve uma mentalidade fantástica. Apesar do penálti, que não é um erro dele, fez um jogo fantástico em prol do grupo. Até ao golo do Vitória fomos melhores em tudo. O nosso grande pecado foi o momento de decisão, em alguns remates a assistência tinha feito mais sentido. Percebemos a estratégia do Luís para forçar a nossa linha defensiva, mas controlámos muito bem. O jogo tornou-se mais dividido depois do golo, mas também tivemos duas oportunidades. Não posso apontar grande coisa à equipa, aponto para mim porque se calhar não tomei as melhores opções depois do golo. Fizemos um grande jogo, não era um estádio qualquer, não era um adversário qualquer. Os jogadores têm de estar conscientes que estão no bom caminho, mas não estamos contentes.”, disse Vasco Botelho da Costa.

A intervenção do treinador do Moreirense mistura o elogio colectivo com autocrítica individual: reconheceram superioridade em fases do jogo, mas existiram momentos de decisão e opções que o próprio técnico admite poderem ter sido melhores.

Opções tácticas e sistema do Moreirense

Vasco Botelho da Costa descreveu uma alteração posicional concreta que passou pelo flanco contrário: “Costumamos montar a nossa linha de cinco à direita e acabámos por optar por montar à esquerda, na prática não mudou nada. Acho que tivemos sucesso com bola, sem bola estivemos muito bem até ao golo do Vitória. Temos sido uns campeões, não temos problemas. Queremos ser uma equipa versátil para se adaptar aos problemas diferentes que os nossos adversários nos podem colocar. Temos algumas vantagens por jogar em casa, mas também gostamos muito de jogar nestes relvados grandes.”, disse Vasco Botelho da Costa.

O treinador justifica a versatilidade do sistema como ferramenta para enfrentar diferentes propostas adversárias e defende que, até ao lance que decidiu o jogo, a equipa cumpriu bem as tarefas com e sem posse.

Responsabilidade e opções após o golo

Vasco reiterou a sua responsabilidade nas decisões tomadas após o golo sofrido e apontou detalhes de execução como factores decisivos: o treinador assumiu que poderia ter feito outras escolhas e destacou a importância do momento de decisão nos remates e nas assistências. A leitura é de que a equipa não merecia perder o encontro, apesar do resultado.

Este reconhecimento público do treinador reforça a ideia de que o resultado foi decidido por detalhes finos e que a trajectória do Moreirense continua avaliada num plano de processo e evolução do colectivo.

Mercado, ambições e foco imediato

O técnico do Moreirense projectou já os próximos passos do projecto: “O que desejamos é que o mercado feche para estabilizar o grupo. O projeto do Moreirense está em mudança, tivemos muita gente a sair, gente a entrar. As nossas aspirações são simples, os 35 pontos. O meu foco é descansar, depois preparar o jogo com o Gil. Não serve de nada pensar daqui a 15 dias ou três semanas. O foco é preparar o jogo com o Gil Vicente, que é uma equipa muito difícil e está a fazer um grande campeonato.”, disse Vasco Botelho da Costa.

O discurso é pragmático e orientado para metas concretas: estabilizar o plantel, alcançar a fasquia ambicionada e concentrar energias no próximo adversário, deixando de lado prognósticos a médio prazo até que o mercado termine.

Apagão no Estádio D. Afonso Henriques

O clube vimaranense explicou que a causa do apagão terá sido um pico de corrente na rede eléctrica nacional provocado por uma trovoada, que originou um micro corte parcial no sistema eléctrico do estádio. Apenas os sistemas de iluminação foram afectados: os sistemas de emergência, vídeovigilância, detecção de incêndio e o sonoro mantiveram-se activos.

Segundo o V. Guimarães, o gerador de apoio estava operacional mas não chegou a arrancar porque o evento foi um micro corte instantâneo. A duração da interrupção da iluminação está justificada pela necessidade de as lâmpadas arrefecerem antes de voltarem a ser religadas, procedimento de segurança que explica os cerca de 13 minutos de pausa.

Conexões finais e leitura táctica

As reflexões de Luís Pinto sobre as intenções iniciais, a entrada de Samu e a recuperação da pressão explicam por que motivo a equipa conseguiu impor-se num jogo que não foi espectacular, mas que foi suficiente para vencer. A preocupação com eficácia, pressão e leitura do adversário aparece como fio condutor nas suas intervenções.

Do lado do Moreirense, Vasco Botelho da Costa sublinha a sensação de injustiça por não ter concretizado a superioridade demonstrada em partes do encontro e assume a responsabilidade por opções após o golo. O seu discurso é de confiança no processo, reconhecendo que há decisões a corrigir rumo ao fecho do mercado e à meta dos 35 pontos.