Vanessa Marques bisou; FC Porto arrancou empate aos 90' (2-2)

  1. Empate 2-2
  2. Vanessa Marques bisou
  3. Lenka Mazuchova 90'
  4. Segunda mão 18 Março

O V. Guimarães e o FC Porto empataram a dois golos na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal feminina, num encontro que deixou a eliminatória em aberto e que promete uma segunda mão altamente disputada no CTFD Jorge Costa. Vanessa Marques assinou um bis na primeira parte, mas Lenka Mazuchova respondeu já em período de descontos para restabelecer a igualdade (2-2).

Depois do apito final, Ivo Roque, treinador do V. Guimarães, fez uma leitura franca do jogo e destacou as ocasiões perdidas que condicionaram o resultado. As suas palavras acompanharam todo o relato desta partida e ajudam a explicar a frustração e ambição da equipa vimaranense para a decisão a 18 de março.

Resumo do encontro

O encontro começou com claro domínio do V. Guimarães, materializado em ocasiões e numa eficácia culminante no primeiro tempo. Vanessa Marques inaugurou o marcador aos 27 minutos e voltou a marcar aos 38, colocando as visitantes em vantagem por 2-0 ao intervalo.

Na segunda metade, o FC Porto foi à procura da reacção e acabou por obter o prémio já nos instantes finais. Lenka Mazuchova, contratação de inverno, marcou aos 90+ e ressuscitou as aspirações portistas para a segunda mão.

Primeira parte dominadora

O V. Guimarães mostrou na primeira parte grande organização ofensiva, capacidade de ligação entre linhas e critério nas aproximações à área. As ações ofensivas foram bem trabalhadas e trouxeram dois golos que podiam ter sido mais, não fosse a eficácia temporária da equipa vimaranense.

Vanessa Marques destacou-se pela ocupação de espaços entre os centrais e pela frieza na finalização. O bis, aos 27 e 38 minutos, confirmou a importância da avançada de 29 anos no plano ofensivo da equipa.

Reacção do FC Porto

A equipa portista entrou na segunda parte com maior iniciativa ofensiva e alterações tácticas que procuraram desorganizar a defesa vimaranense. O conjunto das “azuis e brancas” foi ganhando terreno e ameaçando até ao desfecho tardio do encontro.

Lenka Mazuchova, reforço de inverno, foi precisamente a jogadora que fez a diferença nos minutos finais, demonstrando que a aposta do mercado pode revelar-se decisiva nesta eliminatória.

Citações de Ivo Roque

O treinador do V. Guimarães foi categórico na avaliação: “Queríamos matar a eliminatória neste primeiro jogo e tivemos uma vantagem muito confortável de dois golos. O nosso objetivo era fazer o terceiro golo o mais rápido possível, mas ao permitir que o FC Porto entrasse na eliminatória corremos riscos. Tivemos a oportunidade para fazer o terceiro golo num penálti e ainda tivemos um golo anulado por fora de jogo que, na altura, nos daria o 3-0”, disse Ivo Roque.

Mais tarde, projetando a segunda mão, acrescentou: “Está tudo em aberto. Estamos no intervalo de um jogo, temos a obrigatoriedade de ser superiores. O nosso adversário foi feliz e fez dois golos em duas transições, mas temos muito para melhorar”, afirmou o treinador vimaranense.

Análise táctica

Do ponto de vista táctico, o V. Guimarães conseguiu nos primeiros 45 minutos superioridade nas faixas e mobilidade no último terço, obrigando o FC Porto a recuar e a compactar. As triangulações e as combinações com a linha defensiva adversária abriram espaços que foram aproveitados por Vanessa Marques.

Na segunda parte, as alterações portistas, nomeadamente no trio avançado, criaram novos desequilíbrios e obrigaram a equipa visitante a uma gestão diferente das transições. Foi nessa fase que surgiram os buracos que permitiram a recuperação final do FC Porto.

Momentos-chave

A perda de um penálti e um golo anulado por fora de jogo foram, nas palavras de Ivo Roque, determinantes para o desfecho. Esses lances representaram oportunidades claras para sentenciar a eliminatória e acabam por ser os pontos de viragem do encontro.

O golo de Lenka Mazuchova já em cima do apito final foi outro momento crucial: não só mudou o resultado como teve impacto directo na psicologia das duas equipas para a segunda mão.

Efeitos psicológicos

Para o V. Guimarães, ver a vantagem de dois golos esvair-se nos minutos finais traz uma necessidade de gerir ansiedade e recuperar confiança antes do regresso à competição. A sensação de oportunidade perdida pode pesar se não for trabalhada com clareza e pragmatismo.

Para o FC Porto, o empate fora devolve moral e ambição, sobretudo por ser uma equipa de divisão inferior que nunca chegou à final da Taça de Portugal. O resultado renova a esperança de um percurso histórico até ao Jamor.

Jogadoras em destaque

Vanessa Marques foi a figura mais influente do V. Guimarães, com um bis que traduz eficácia ofensiva e capacidade de leitura dos espaços entre centrais. A sua experiência revelou-se determinante para a vantagem ao intervalo.

Do lado do FC Porto, Lenka Mazuchova justificou a contratação de inverno com um golo de elevado valor competitivo. A sua entrada mostrou impacto imediato e oferece soluções ofensivas que a equipa pode explorar na segunda mão.

Percurso do FC Porto na prova

O trajecto do FC Porto até às meias-finais tem sido marcado por resultados elásticos nas fases iniciais — 24-0 ao CCR São Martinho e 25-0 ao Oliveira Douro — e por confrontos mais equilibrados nas etapas seguintes, incluindo uma eliminatória decidida nas grandes penalidades frente ao Marítimo (5-6).

Essa trajetória evidencia tanto capacidade goleadora como a necessidade de adaptação face a equipas com maior experiência e organização, factores que ficarão em análise para a segunda mão.

Preparação para a segunda mão

Com a segunda mão marcada para 18 de março no CTFD Jorge Costa, ambas as equipas terão tempo para corrigir erros e trabalhar abordagens tácticas. O V. Guimarães deverá focar-se em reduzir os riscos nas transições e em garantir maior controle emocional nos momentos decisivos.

O FC Porto, por seu turno, terá de consolidar a dinâmica ofensiva que trouxe no segundo tempo e transformar a confiança do empate fora em estratégia para explorar pontos fracos identificados no adversário.

Oportunidades falhadas e lições

As ocasiões desperdiçadas pelo V. Guimarães — sobretudo o penálti falhado e o golo anulado — serão analisadas internamente como lições a corrigir. Ivo Roque sublinhou que essas oportunidades, se convertidas, teriam praticamente decidido a eliminatória.

O FC Porto, por seu lado, deverá aprender com os períodos de dificuldade no primeiro tempo e aprimorar a construção ofensiva continuada ao longo dos 90 minutos, para não depender apenas de golos tardios.

Conclusão e perspetivas

O empate 2-2 reflete um jogo de momentos alternados: superioridade do V. Guimarães na primeira parte e uma reacção tardia, mas eficaz, do FC Porto. A eliminatória segue aberta e promete um encontro de alto risco e tensão na segunda mão.

As palavras de Ivo Roque — de ambição e insatisfação — condensam o sentimento vimaranense: agora é tempo de ajustes e de provar maior superioridade. Para o FC Porto, a igualdade fora representa uma oportunidade histórica que a equipa tentará concretizar frente ao seu público em março.

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