FC Porto reage à proposta do Nacional sobre direitos televisivos

  1. Nacional propõe nova distribuição direitos televisivos
  2. FC Porto seria o mais prejudicado
  3. José Pedro Pereira da Costa critica proposta
  4. Centralização deve respeitar realidade portuguesa

A proposta emergente do Nacional, que propõe uma nova distribuição dos direitos televisivos, tem gerado forte reação, especialmente por parte do FC Porto. Esta nova abordagem prevê um reforço da parcela fixa, a eliminação da métrica da UEFA e um modelo assente no mérito e na solidariedade, o que implica que os clubes de topo recebam menos e os restantes consideravelmente mais. O FC Porto aponta que seria o mais prejudicado, com uma perda de milhões de euros em comparação com o modelo atualmente previsto.

Em resposta, José Pedro Pereira da Costa alertou veementemente: “Se o caminho defendido pelo Nacional tiver seguimento, o FC Porto não irá continuar a colaborar no processo de centralização e combaterá política e juridicamente o modelo que seja imposto”. O responsável portista argumenta que “quem diz defender uma solução coletiva não pode, ao mesmo tempo, propor critérios que destroem a racionalidade económica que torna essa solução possível”. A posição do FC Porto é clara: o processo de centralização deve respeitar a realidade do futebol português. O CFO dos dragões explica que “o FC Porto tem estado envolvido neste processo com sentido de responsabilidade, lealdade institucional e com base em pressupostos de racionalidade que não coloquem em causa a competitividade do futebol português, a sustentabilidade dos clubes que mais contribuem para a valorização da competição e, naturalmente, o ranking da UEFA”.

Adicionalmente, José Pedro Pereira da Costa criticou a importação de modelos estrangeiros, referindo que “aquilo que não podemos aceitar é que se tente importar, de forma acrítica, modelos de distribuição aplicados em Inglaterra, França ou Espanha, como se a realidade portuguesa fosse comparável a esses mercados”. Em suma, defende que “os clubes desses países têm demografias diferentes, mercados internos incomparavelmente superiores e uma fortíssima identificação regional com os seus clubes, traduzidos em assistências nos seus jogos muito expressivas, o que, repito, sem qualquer desrespeito, o Nacional não tem”. Concluindo, o dirigente do FC Porto enfatiza que a centralização “só fará sentido se respeitar a realidade portuguesa, o peso efetivo de cada clube na criação de valor, a audiência, a dimensão associativa, a capacidade de internacionalização e o contributo para a competitividade global do futebol português”.

A controvérsia adensa-se e o CFO do FC Porto não poupa nas palavras, qualificando a proposta do Nacional como uma “posição extremada, não só desrespeita o trabalho que tem sido desenvolvido no âmbito da Liga Centralização, como introduz ruído e instabilidade no processo”. O impacto desta proposta, segundo o dirigente, “só irá desvalorizar o produto que a Liga Centralização tem procurado maximizar, levando a que os valores publicitados pelo senhor Rui Alves se tornem impossíveis de atingir, porque o valor global dos direitos implícito será uma ficção”.

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