A centralização dos direitos televisivos continua a ser um tópico de intensa discussão no futebol português. Apesar das críticas e diferentes perspetivas, como a do presidente do FC Porto, André Villas-Boas, que pondera avançar para tribunal caso a proposta de Nacional e Marítimo sobre a centralização de direitos televisivos seja aprovada, o presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, garante um consenso alargado em torno da proposta em desenvolvimento. Reinaldo Teixeira fez questão de responder ao líder máximo do FC Porto na 4.ª Conferência Bola Branca, organizada pela Rádio Renascença, afirmando: “André Villas-Boas levantou essa hipótese, mas isso não será um entrave à centralização. O que o presidente André Villas-Boas teve foi uma reação ao que disse Rui Alves, presidente do Nacional, que pediu que a chave deve ser, enfim, mais equitativa, com menos peso para os três grandes. E o presidente do FC Porto apenas defendeu que se isso fosse aprovado agiria em conformidade.”
O dirigente da Liga fez questão de sublinhar que a proposta que está a ser trabalhada conta com a aprovação dos clubes, o que, para ele, é a prova de que existe um caminho que agrada à maioria dos envolvidos. “Como vos disse, a nossa dita chave, aquela que é a chave que a Liga está a trabalhar, é uma chave que foi consensualizada com as várias SAD”, garantiu Reinaldo Teixeira. A sua convicção no sucesso do processo é notória: “Estou convencido de que este processo se vai concluir com sucesso. Nós vamos entregar o documento à Autoridade da Concorrência (AdC) até 30 de junho. O modelo de comercialização foi aprovado na Liga Centralização, direção da LPFP, conselho da LPFP e na reunião da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Mesmo numa chave que beneficia os de baixo de forma diferente, sinto uma grande consciencialização e bom senso.” Reinaldo Teixeira reconheceu também o impacto dos designados três grandes
no panorama futebolístico nacional: “Reinaldo Teixeira reconhece que os três grandes representam 95% dos adeptos do futebol português e que nesta altura “recebem 14 vezes mais que o clube que menos ganha”.”
Apesar de reconhecer a atual disparidade, o presidente da Liga acredita que o novo modelo de centralização irá reduzir significativamente essa diferença. “A intenção é criar mais competitividade e equidade, e menos diferença entre o que mais ganha e o que menos ganha. Nos diálogos sucessivos com sociedades desportivas, encontrámos um caminho que está a ser ajustado e aponta a quebrar para metade essa diferença”, reiterou. Reinaldo Teixeira revelou que as boas práticas de outras ligas europeias foram tidas em conta: “Dessa maneira, Reinaldo Teixeira afirmou terem percorrido “as boas práticas das Ligas europeias” para construir essa ‘chave’, assente nos pilares de desempenho desportivo, infraestrutura, audiovisual, equidade entre equipas e total de adeptos.” O dirigente defendeu ainda que “Rui Alves foi sempre correto com a Liga” e “nada do que veio a público é novidade”, o que o leva a prognosticar que “na época 2028/29 a centralização será uma realidade”. Questionado sobre a sua intenção de continuar no cargo para concluir o projeto da centralização, Reinaldo Teixeira não hesitou: “Quando cheguei, tinha um projeto e ninguém conclui projeto ou visão num mandato. Se me perguntar se vou concorrer [na época de transformação, em 2028/29], direi que sim.” O entusiasmo de Reinaldo Teixeira estende-se até à Taça da Liga, com o objetivo de a tornar mais inclusiva: “Vamos democratizar e ter uma Taça da Liga para todos. Hoje temos Taça da Liga para oito equipas e as quatro ou cinco que vão à Europa não querem sobrecarga, enquanto os restantes querem ter mais competições. O modelo que nós estamos a definir dá oportunidade a todas as sociedades desportivas.” A conversa não terminou sem uma pergunta sobre Cristiano Ronaldo, à qual Reinaldo Teixeira respondeu: “Mesmo não estando cá… ele está cá sempre. Quem não gostava de o ter? É um embaixador do nosso futebol.”