André Villas-Boas: Alívio na Presidência e Relações com Rivais

  1. Villas-Boas: "Eu senti alívio."
  2. Relação tensa com Frederico Varandas.
  3. Elogios a Rui Costa.
  4. FC Porto busca reforços, incluindo ponta de lança.

André Villas-Boas, presidente do FC Porto, partilhou as suas impressões e sentimentos acerca da sua nova função, destacando uma profunda mudança na sua perceção de vitórias e responsabilidades. Em conversa num painel do festival Eco, ao lado do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, Villas-Boas abordou a transformação que sentiu no clube. “Eu não transformei o clube, foram as pessoas que se transformaram na forma como se começava a relacionar com o clube. Fruto também de muitos passos que demos, desde logo a transformação digital, que permitiu o acesso a um mundo sem fim de sócios, algo que não se dava por inação, de certa forma, na parte da gestão, e por ser desvalorizado, que seria uma parte da transformação digital que era absolutamente fundamental na expansão do clube a nível nacional e internacional. Portanto, isso tornou-o imediatamente uma forma diferente de o novo sócio se relacionar com o clube”, disse. Sobre a recente festa da conquista do título, o presidente revelou uma emoção diferente do que sentia antes. “Sim, sente-se diferente porque o formato também foi diferente. O objetivo foi unir rio e Aliados, foi bem conseguido. Foi inspirado nos festejos do Athletic Bilbao, que usa precisamente o rio como veículo canalizador para chegar ao estádio, e só esse movimento trouxe mais pessoas às ruas. Foi um São João de azul e branco, uma simbiose perfeita entre Porto e FC Porto”, descreveu, antes de ir mais fundo no seu sentir. “Eu senti alívio. Como presidente deixei de sentir felicidade, agora sinto alívio pela responsabilidade. Enquanto treinador vivi a vitória e vivi a felicidade na vitória, agora como presidente vivo alívio. Os meus dias são como as vitórias do FC Porto, jornada após jornada, de alívio por obtenção de um objetivo. Foi sobretudo uma excelente organização e a possibilidade de as pessoas soltarem as suas emoções. O FC Porto não era campeão há 4 anos e quando assim é, é uma explosão, uma festa única. Portanto temos novo portismo, novas emoções, excelente organização.”

Ainda na mesma linha de declarações, André Villas-Boas abordou as relações com os rivais e não escondeu a sua má relação com Frederico Varandas, presidente do Sporting, durante a Conferência Bola Branca, da Rádio Renascença. “Não lhe posso negar que o Frederico [Varandas] me dá muito trabalho. Temos uma animosidade muito particular entre um e outro. Não gostamos um do outro, eu não confio nele, ele não confia em mim e a verdade é essa”, afirmou categoricamente o líder dos dragões. Contrastando com esta relação, Villas-Boas teceu elogios a Rui Costa, presidente do Benfica. “O Rui [Costa] é um senhor do futebol, é um dos melhores talentos e jogadores portugueses de sempre, uma pessoa digna, humana, que lidera o Benfica, o nosso maior rival, um rival histórico do FC Porto”, disse, sublinhando a rivalidade histórica. “O nosso maior rival histórico é o Benfica. Com este título somos o clube com mais títulos do futebol nacional e temos partilhado isso abertamente em comunicação. Com o Rui tenho uma relação muito estreita, muito franca, muito direta, também de certa forma não fui muito agradável com ele. Não terei sido agradável quando referi que estaria no bolso do Frederico. A verdade é que um alinhamento entre Benfica e Sporting parece-me cada vez mais evidente em determinados temas, com o objetivo de calcar os calcanhares do FC Porto, e foi por isso que fiz essa declaração”, explicou o presidente portista, explicitando a sua visão sobre as dinâmicas entre os clubes.

Villas-Boas também falou sobre os planos para a próxima época do FC Porto, manifestando a vontade de manter jogadores chave e de reforçar a equipa, com foco num ponta de lança, na Conferência Bola Branca. Sobre a possível saída de Francesco Farioli, o presidente referiu: “Farioli sentiu-se em casa, agarrado a um projeto. Mudam-se líderes, mudam-se métodos, mas o que ele encontrou foi estabilidade, que é difícil de encontrar.” Questionado sobre a dispensa de Vítor Bruno, declarou: “Perdemos oportunidade de ser líderes na Madeira, depois houve a derrota na Taça da Liga e entendemos que era preferível mudar. Fomos buscar um treinador com forma diferente de jogar e correu mal. Aí decidimos mudar outra vez e investimos na reformulação da equipa.” Em relação à situação da SAD e a necessidade de vender, foi direto: “Temos de ter capacidade de ter tesouraria. E ter capacidade de operar no mercado para fazer face às exigências financeiras.” Sobre o jovem Rodrigo Mora, a mensagem é clara: “Trabalha muito para a equipa. Em golos não foi como época anterior, mas o talento está lá. É dos maiores talentos do Mundo. Se pedir para sair? Na construção do plantel quem manda é o treinador e contamos com ele. Há jogadores que sonham com outras equipas, mas contamos com ele. Tem um talento que devemos manter.” Diogo Costa, guarda-redes, é outra prioridade de manutenção: “Pode ter convites, tem ambição de jogar noutros campeonatos, mas pedi-lhe para ficar e usar o 2 de Jorge Costa. Não me disse ainda se fica, mas gostaria que a camisola 2 estivesse em campo e isso significaria que ele tinha continuado.” Reconhecendo a necessidade de reforços, Villas-Boas garantiu: “Vamos ao mercado por um ponta de lança. Até novembro o FC Porto tem de se reforçar, porque só aí o Samu estará em boas condições.”

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